Saúde

Vacinas na gestação: proteção que atravessa a placenta e salva vidas

Em apuração ?

Entenda como anticorpos transmitidos pela mãe podem proteger recém-nascidos de doenças graves

Imagem: BBC News Brasil

A imunização de gestantes é uma estratégia fundamental para garantir a saúde do bebê. Dados recentes mostram impacto na redução de mortes por doenças como coqueluche e bronquiolite no Brasil.

Durante a gestação, o corpo da mulher produz anticorpos que podem passar para o bebê ainda dentro do útero, criando uma barreira natural contra diversas doenças. Segundo informações de uma fonte especialista na área de imunizações, esse mecanismo de transferência de anticorpos é uma forma de proteção precoce, ajudando a combater infecções que podem ser graves em recém-nascidos.

Além do efeito natural do corpo da mãe, a vacinação durante a gravidez potencializa essa proteção. Quando a gestante recebe vacinas específicas, ela gera anticorpos direcionados contra ameaças que o bebê poderia encontrar após o nascimento, formando uma defesa personalizada. No Brasil, um dos programas de imunização mais avançados do mundo, essa estratégia tem colaborado para quase eliminar doenças como a coqueluche, que hoje apresenta riscos bem menores graças às campanhas de vacinação.

No entanto, dados recentes indicam que, em 2024, houve um aumento preocupante na incidência da doença. Segundo Renato Kfouri, da Sociedade Brasileira de Imunizações, o índice de casos subiu para o maior desde 1990, culminando na morte de 29 bebês com menos de um ano, sendo 24 filhos de mães que não haviam sido vacinadas. Ainda não há confirmação oficial de todos os fatores, mas especialistas apontam que a cíclica natureza da doença, agravada pelos efeitos da pandemia e pela queda na cobertura vacinal em anos anteriores, contribuem para esse crescimento.

Outro avanço importante na imunização infantil contra vítimas fatais é o uso da vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR), responsável pela bronquiolite. Ainda em 2024, essa doença matou 537 crianças menores de um ano no Brasil. A partir de dezembro de 2025, o Sistema Único de Saúde (SUS) passou a oferecer a vacina contra o VSR para gestantes a partir da 28ª semana, em uma tentativa de replicar o mecanismo de proteção já consolidado na prevenção da coqueluche. A adesão surpreendeu os especialistas, atingindo aproximadamente 85%, o que também melhorou os índices de vacinação contra gripe e coqueluche.

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Apesar do progresso, a cobertura contra COVID-19 na gestação ainda enfrenta desafios. Segundo Kfouri, a adesão permanece baixa, dificultando uma proteção mais ampla contra a doença, que também pode ser transferida ao bebê por meio de anticorpos produzidos durante a gestação. Cada anticorpo tem uma função distinta: a imunoglobulina-M (IgM), por exemplo, responde rapidamente a ameaças novas, mas não atravessa a placenta, portanto não protege diretamente o recém-nascido.

Esse panorama revela a importância contínua de campanhas de vacinação bem sucedidas e de uma conscientização maior sobre os benefícios de imunizar gestantes, que além de proteção própria, proporcionam uma defesa precoce aos seus bebês. Ainda há muito a avançar, especialmente na ampliação da cobertura contra COVID-19, mas os números demonstram que, quando bem direcionadas, as vacinas podem salvar vidas antes mesmo do nascimento, reforçando a estratégia de proteção que começa na gestação.

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O que sabemos?

  • Anticorpos da mãe atravessam a placenta e protegem o bebê antes do nascimento.
  • Vacinação durante a gestação aumenta a proteção do bebê contra doenças.
  • Em 2024, o Brasil teve aumento na incidência de coqueluche, com 29 mortes de crianças menores de um ano.
  • A vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR) passou a ser oferecida pelo SUS em dezembro de 2025, atingindo alta adesão.
  • A cobertura vacinal contra COVID-19 na gestação ainda é baixa.
  • Casos de bronquiolite mataram 537 crianças menores de um ano em 2024.

Fontes

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