Saúde

Resistência aos novos Caps no DF: desinformação, medo e participação popular

Em apuração ?

Construções enfrentam oposição mesmo com déficit no atendimento mental, alimentada por memes e desentendimento da comunidade

Ilustração de um Caps rodeado por moradores e memes na internet
Imagem: G1

Projetos de cinco novos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) no Distrito Federal encontram resistência de moradores, impulsionada por desinformação e preocupações ambientais, apesar da análise técnica indicar necessidade e legalidade.

Apesar do déficit no atendimento em saúde mental no Distrito Federal, a instalação de cinco novos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) até 2027 ainda enfrenta forte resistência de algumas comunidades locais. Segundo a subsecretária de Saúde Mental, Fernanda Falcomer, essa oposição cresceu especialmente nos últimos meses e é impulsionada por memes nas redes sociais que estigmatizam tanto os pacientes quanto as unidades de tratamento. Essas manifestações ocorrem mesmo diante de um cenário onde a rede já possui atualmente 19 Caps e, de acordo com ela, há uma baixa cobertura de serviços – com uma proporção de apenas 0,54 unidades para cada 100 mil habitantes.

Os locais previstos para receber as novas unidades são Taguatinga, Ceilândia, Guará, Gama e Recanto das Emas. Até o momento, apenas o Caps do Gama está em funcionamento, desde julho. A implantação desses espaços, contudo, segue recomendações do Ministério Público do DF, que reforçam a necessidade de ampliar o atendimento à população, principalmente em regiões onde a falta de unidades compromete o acesso ao tratamento adequado. Ainda assim, as mobilizações contra as construções apresentam argumentos variados, incluindo preocupações com impacto ambiental, segurança e a preferência por espaços de lazer ao redor dos bairros.

Outro aspecto que reforça a resistência é a falta de compreensão sobre como funciona a rede de saúde mental. Segundo Fernanda Falcomer, o uso de memes como “doidinho do Caps” ou “dia mais fraco no Caps” contribui para uma visão distorcida e estigmatizante de quem busca ajuda — uma situação que, de acordo com ela, reforça o preconceito e dificulta a adesão ao tratamento. Além disso, dados do Google Trends apontam que em 2024 houve um aumento significativo nas menções ao sistema de saúde mental na internet, indicando uma ampliação do debate, embora nem sempre fundamentado na compreensão técnica do tema.

Curiosamente, a questão do planejamento urbano também aparece como ponto de discordância: o modelo de assistência do Sistema Único de Saúde (SUS) recomenda que os Caps sejam construídos dentro dos bairros, para integrar o tratamento à rotina da comunidade e promover a reabilitação social. No caso de Taguatinga, por exemplo, a área escolhida vinha sendo carecida há anos de uma intervenção do poder público, mas acabou sendo abandonada e passou a ser cuidada pela própria comunidade, levantando questionamentos sobre o uso de terrenos que já estavam previstos para equipamentos públicos. A subsecretária afirma que os locais utilizados seguem a legislação, reforçando o entendimento de que as unidades são necessárias não apenas para ampliar o acesso, mas também para cumprir toda a legislação vigente.

Apesar do avanço no tratamento a crianças e adolescentes, com aumento de 33% no atendimento nos Caps do DF, o conflito envolvendo essas construções revela a complexidade de promover saúde mental de forma inclusiva e plural. Ainda não há confirmação de que todas as cinco unidades irão de fato ser construídas e em funcionamento até 2027, e a discussão sobre o papel social dos equipamentos deve continuar, enquanto a sociedade e os gestores buscam uma forma de conciliação que leve em conta os direitos do paciente, a legislação e o bem-estar da comunidade.

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O que sabemos?

  • Até o momento, apenas o Caps do Gama entrou em funcionamento, em julho.
  • A implementação de cinco novos Caps foi planejada para até 2027, incluindo regiões como Taguatinga, Ceilândia, Guará, Gama e Recanto das Emas.
  • A resistência dos moradores é motivada por desinformação, impacto ambiental, segurança e preferência por espaços de lazer.
  • Memes e comentários na internet estigmatizam os pacientes e dificultam a compreensão pública sobre a importância dos equipamentos.
  • O aumento no atendimento a jovens indica expansão do sistema, mas a resistência revela complexidades na aceitação comunitária.

Fontes

  • G1 imprensa
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