Kratom gera preocupação nos Estados Unidos após mortes associadas a estudantes
Substância natural, popular em alguns lugares, ameaça a saúde pública sem regulamentação oficial
Investigadores encontraram embalagens de kratom com dois estudantes mortos na Universidade do Mississippi, o que intensifica o alerta sobre seus riscos. A substância, que atua de forma similar aos opioides, ainda não tem regulamentação nos EUA e causa debates globais.
O kratom, uma planta de efeito semelhante aos opioides, está no centro de um crescente debate de saúde pública nos Estados Unidos, após a descoberta de embalagens da substância com dois estudantes da Universidade do Mississippi que vieram a falecer recentemente. Ainda sem uma relação oficial confirmada entre o uso do kratom e as mortes, as autoridades têm emitido alertas e reforçado o cuidado ao consumo de produtos que, apesar da popularidade crescente, continuam sem regulamentação pela Food and Drug Administration (FDA).
Segundo informações de uma fonte ligada às investigações, os estudantes em questão foram encontrados com embalagens de kratom, uma erva que vem ganhando destaque no cenário norte-americano por sua popularidade na última década. O produto geralmente é adquirido sem receita médica, disponível em forma de comprimidos ou líquido, e é consumido por pessoas que buscam aliviar dores crônicas ou combater fadiga. Um exemplo recente é o caso de Jeffrey Deaver, um lenhador aposentado de 58 anos do estado de Washington, que revelou à mesma fonte que usa kratom há quatro anos para lidar com dores severas no quadril e no joelho. Deaver disse que inicialmente começou com doses baixas, mas acabou aumentando a quantidade até que sua dor sumisse. “Foi como um milagre”, afirmou, acrescentando: “Eu consegui dormir. Eu consegui funcionar. Eu simplesmente não sei o que faria sem isso.”
De acordo com a mesma fonte, o kratom tem efeitos que, em doses menores, atuam como estimulantes, semelhantes aos da cocaína, podendo ajudar a combater a fadiga durante longas horas de trabalho. No entanto, a substância também possui efeitos sedativos em doses mais altas, o que explica por que seu consumo é cercado de controvérsia. Países como o Reino Unido já proibiram sua comercialização, enquanto nos Estados Unidos, a legalidade varia de estado para estado; no Mississippi, por exemplo, ele é permitido, mas sem regulamentação oficial pela FDA. Ainda não há consenso sobre os riscos específicos, e as mortes relacionadas ao uso do kratom ainda não foram oficialmente atribuídas à substância, embora o caso da Universidade do Mississippi tenha despertado alerta máximo entre especialistas e autoridades de saúde.
Além dos Estados Unidos, o uso de kratom também não é regulamentado no Brasil, onde uma nota técnica de 2023 recomendou sua inclusão na lista de plantas proibidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Ainda assim, a substância continua sendo procurada por aqueles que buscam alternativas para dores e disposição, apesar dos riscos potenciais associados ao seu consumo descontrolado. Assim, especialistas reforçam a necessidade de mais estudos e fiscalização, uma vez que o produto pode ser utilizado de maneira insegura, incluindo risco de dependência e efeitos adversos imprevisíveis.
O que sabemos?
- Kratom foi encontrado em embalagens com dois estudantes mortos na Universidade do Mississippi.
- A substância tem efeitos semelhantes aos opioides e é consumida sem receita médica.
- No Brasil, kratom não é regulamentado e há recomendações para sua proibição.
- Em doses baixas, pode atuar como estimulante, ajudando na fadiga.
- Autoridades americanas estão em alerta, embora a relação direta com mortes ainda não tenha sido oficialmente confirmada.
Fontes
- BBC News Brasil imprensa
- G1 imprensa





