Saúde

Pesquisadora baiana desenvolve tratamento com LED para melhorar saúde íntima de mulheres com câncer de mama

Em apuração ?

Inovação nasceu da própria experiência de luta contra a doença e busca oferecer alternativa de tratamento domiciliar

Patrícia Lordêlo com equipamento de LED azul em mãos, em ambiente de pesquisa.
Imagem: G1

Patrícia Lordêlo, fisioterapeuta e cientista de Salvador, criou um método usando luz de LED azul para regeneração de tecidos vaginais, ajudando mulheres durante e após o câncer de mama. Projeto apoiado pelo CNPq receberá testes em casa.

A história da cientista baiana Patrícia Lordêlo, de 49 anos, revela uma combinação de resistência, inovação e esperança. Diagnosticada com câncer de mama em outubro de 2024, ela enfrentou dificuldades físicas durante o tratamento de quimioterapia, percebendo dores intensas e lesões na região genital que a levaram a investigar novas soluções. Segundo ela, ‘‘a cada fase do tratamento, surgiam impactos na saúde íntima que afetavam ainda mais a qualidade de vida’’.

Foi nessa experiência pessoal que Patrícia decidiu aprofundar seus estudos na área de saúde feminina, focando na aplicação de luz de LED azul, tecnologia que já investigava antes de seu diagnóstico. Ainda segundo a pesquisadora, a luz tem potencial para estimular a regeneração de tecidos vaginais e melhorar funções como lubrificação e vida sexual, questões muitas vezes subestimadas no contexto do tratamento contra câncer de mama.

O projeto, que obteve apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) em agosto de 2026, busca desenvolver um equipamento de uso domiciliar, facilitando o acesso ao tratamento e possibilitando que mulheres possam realizar o procedimento em casa, sem precisar de constantes deslocamentos a ambulatórios. Ainda não há confirmação oficial de que os resultados de testes iniciais estejam concluídos ou que o equipamento já esteja disponível ao público.

Patrícia explica que a ideia do tratamento domiciliar nasceu de uma dificuldade pessoal: “A maior dificuldade para mim era sair de casa para fazer o tratamento. Eu sentia dores, era muito desconfortável. O pós-quimioterapia é bem difícil, os cinco primeiros dias são os mais debilitantes.” A proposta visa, portanto, transformar a rotina de muitas mulheres que enfrentam obstáculos físicos ou emocionais para buscar assistência médica frequentemente. Recentemente, ela lançou o livro “Inteira: Uma história real de corpo, intimidade, ciência, espiritualidade e reconstrução”, no Gabinete Português de Leitura de Salvador, durante o mês de Outubro Rosa, em homenagem à campanha de conscientização sobre o câncer de mama.

O livro, que tem prefácio da atriz Regina Casé, surgiu de uma trajetória marcada pela luta e pela esperança. A atriz, que acompanhou a recuperação emocional de Patrícia, foi apontada pela própria pesquisadora como uma figura importante para ajudá-la a retomar sua identidade profissional durante o tratamento, que quase a deixou apenas como paciente. Toda renda obtida com os direitos autorais será destinada ao Instituto Patrícia Lordêlo, responsável por atender cerca de três mil pacientes pelo SUS, reforçando o compromisso social da cientista com a ampliação do acesso a tratamentos inovadores e questões relacionadas à saúde feminina.

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O que sabemos?

  • Patrícia Lordêlo, 49 anos, enfrentou câncer de mama em 2024.
  • Ela desenvolveu um tratamento com LED azul para saúde íntima de mulheres com câncer.
  • Projeto apoiado pelo CNPq em agosto de 2026 busca testá-lo para uso domiciliar.
  • Tratamento mostrou resultados positivos na lubrificação e função sexual.
  • A pesquisadora lançou o livro 'Inteira' durante o Outubro Rosa, com a participação de Regina Casé.

Fontes

  • G1 imprensa
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