Debate sobre uso da testosterona na menopausa ganha atenção no Rio de Janeiro
Especialistas alertam para limites científicos e promessas não comprovadas do hormônio
Durante o 20º Congresso Mundial sobre Menopausa, questão do uso de testosterona na saúde feminina foi destaque. Médica australiana reforçou precauções diante de promessas ainda não validadas pela ciência.
O uso da testosterona em mulheres na menopausa voltou a ser tema de discussão relevante entre especialistas durante o 20º Congresso Mundial sobre Menopausa, realizado entre os dias 30 de setembro e 3 de outubro no Rio de Janeiro. Segundo a médica australiana Susan Davis, uma das principais referências internacionais no estudo da testosterona feminina, há uma distinção fundamental entre as indicações apoiadas por evidências científicas e as promessas de benefícios que ainda não foram devidamente comprovadas.
De acordo com Davis, a indicação com respaldo clínico para a terapia com testosterona em mulheres na pós-menopausa é o transtorno do desejo sexual hipoativo, uma condição que se caracteriza por uma redução persistente do desejo que provoca sofrimento na própria paciente. Para que o tratamento seja indicado, é necessário passar por uma avaliação cuidadosa, levando em conta fatores físicos, emocionais, relacionais e medicamentosos. A especialista enfatizou que não há um valor de testosterona no exame de sangue que possa confirmar o diagnóstico ou determinar quem deve iniciar a terapia.
Ela também ressaltou que, quando bem indicada, a terapia pode gerar melhorias moderadas no desejo sexual e ajudar a diminuir o sofrimento relacionado a dificuldades na vida sexual. Porém, Davis alertou que o tratamento não é uma solução automática para problemas conjugais, dor durante as relações ou outras questões que influenciam a sexualidade. Mesmo assim, há uma preocupação crescente de que a oferta de testosterona esteja se ampliando comercialmente para fins como recuperação de disposição, melhora da memória, emagrecimento, aumento de massa muscular e prevenção do envelhecimento.
Segundo ela, os estudos científicos realizados até o momento não demonstraram benefícios consistentes dessas promessas nas doses fisiológicas usadas na clínica. Relatos individualizados de melhora, como aumento de força ou melhora emocional, não substituem pesquisas robustas que comprovem segurança e eficácia em longo prazo. Além disso, Davis destacou que os estudos disponíveis ainda não fornecem informações suficientes sobre os riscos de tratamentos superiores a cerca de dois anos de uso, o que aumenta a cautela na prescrição indiscriminada do hormônio.
Apesar do potencial benefício em casos específicos de transtorno de desejo sexual, a médica reforça a necessidade de uma avaliação criteriosa por profissionais de saúde, para evitar o uso inadequado da testosterona. Ainda não há consenso na comunidade científica sobre a ampliação do uso do hormônio para outros fins, como rejuvenescimento ou melhora de performance física, devido à falta de evidências confiáveis. Por ora, é importante que mulheres e médicos tenham cuidado ao considerar a terapia hormonal, sempre priorizando as indicações fundamentadas em pesquisa científica sólida.
O que sabemos?
- O principal uso indicado da testosterona na pós-menopausa é para o transtorno do desejo sexual hipoativo.
- Não há um exame de sangue que confirme a necessidade do tratamento.
- Promessas de benefícios adicionais como emagrecimento ou rejuvenescimento ainda não têm comprovação científica.
- Estudos sobre segurança do uso prolongado ainda são insuficientes.
Fontes
- CNN Brasil imprensa





