Relatório aponta recuo na desinformação sobre urnas e aumento de false support em 2026
Análise da Lupa indica mudança no foco das fake news eleitorais este ano
Segundo estudo, discursos falsos relacionados às urnas diminuíram, enquanto publicações que simulam apoio a candidatos cresceram em 2026.
Uma recente análise feita pela agência de checagem Lupa revela uma mudança significativa no perfil das fake news relacionadas ao processo eleitoral brasileiro em 2026. Segundo o relatório, conteúdos que sem evidências lançam suspeitas sobre a segurança das urnas eletrônicas perderam espaço, enquanto mensagens que parecem indicar apoio ou rejeição a candidatos ganharam força, com casos de notícias falsas de pesquisas e apoiadores inexistentes crescendo neste ano.
A pesquisa, que abarcou um período de cerca de dois meses, de 16 de agosto a 4 de outubro — data do primeiro turno das eleições —, analisou um total de 310 frases e publicações, sendo 230 verificadas em checagens formais. Segundo a metodologia divulgada, a equipe identificou uma expressiva redução na quantidade de conteúdos falsos que alegavam problemas no sistema eleitoral, de 23,4% em 2022 para apenas 7,5% nesta eleição. O mesmo aconteceu com discursos que desacreditam as regras de votação, cuja proporção caiu de 21,3% para 3,8%.
Entretanto, o estudo aponta que, ao mesmo tempo, há um incremento nos conteúdos que fabricam cenários de força para candidatos, como pesquisas inventadas ou apoiadores que nunca existiram de fato. Casos apontados incluem uma pesquisa fictícia que dava vitória a um candidato do Partido Liberal (PL) no primeiro turno, além de imagens geradas por inteligência artificial (IA) mostrando multidões em atos de apoio a alguns políticos, como Lula, do Partido dos Trabalhadores (PT). Esses casos representaram 21,3% das frases verificadas neste período, um crescimento em relação a 2022, quando respondia por 14,9%, e 2018, com 15,4%.
Outro dado importante do levantamento é que 15 das verificações — numa soma de 80 — envolveram material produzido ou modificado por inteligência artificial, uma novidade nesta eleição, já que em anos anteriores não haviam registros semelhantes. Entre as situações constatadas estão fotos manipuladas e citações falsas atribuídas a candidatos, além de vídeos com multidões que nunca existiram. Essas manipulações aumentam o desafio de distinguir o que é verdade do que é fake na corrida eleitoral, sobretudo nas redes sociais.
Segundo uma das fontes do relatório, é possível identificar quem está por trás das mensagens falsificadas: “Nas checagens, a gente sabe quem é que está falando”, afirmou uma fonte à Folha de São Paulo, ressaltando que a desinformação se adaptou, mas também se sofisticou na sua maneira de enganar o público e influenciar a opinião pública. A tendência de que essas fake news mudem de foco ao longo do processo eleitoral é notada pelos especialistas, destacando a importância de checagens constantes para evitar que boatos influenciem o resultado das eleições.
O que sabemos?
- Desinformação sobre urnas recua em 2026.
- Aumento de fake news de apoio a candidatos, com pesquisas falsas e apoiadores inexistentes.
- 15 casos envolvendo material produzido por IA em 2026, um fenômeno novo.
- Fake news de dúvidas sobre regras de votação caiu drasticamente em 2026.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa
- UOL Notícias imprensa



