Um grupo de aproximadamente 60 livrarias independentes de várias regiões do Brasil está promovendo apoio ao candidato Lula no próximo segundo turno, destacando a importância do livro e da leitura na definição do voto.
Um movimento inédito e articulado por pequenas livrarias independentes de diversas partes do Brasil visa incentivar o voto em Lula no segundo turno das eleições presidenciais. Segundo fontes do setor, cerca de 60 lojas de diferentes estados têm se organizado para publicar e compartilhar, em redes sociais, mensagens de apoio ao petista, com slogans como "Livro é futuro" e "Quem lê vota pelo Brasil". Essas livrarias têm como objetivo evidenciar a ausência de propostas que mencionem a importância dos livros e da leitura no plano de governo do adversário, Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal, apontando que sua plataforma não traz palavras relacionadas ao tema.
O movimento nasceu de uma iniciativa da livreira capixaba Elisa Quadros, proprietária da recém-inaugurada Lúcia Livraria, localizada na cidade de Anchieta. Ainda de acordo com a própria, ela decidiu expressar seu posicionamento político de forma pública na página da loja em setembro, após sentir que o cenário político exigia uma postura mais ativa pela defesa da democracia. Posteriormente, ela compartilhou uma foto da Constituição Brasileira acompanhada da frase "nesse livro ninguém mexe", dando continuidade à sua manifestação de apoio às instituições democráticas.
Segundo informações de uma fonte ligada ao setor, a Associação Nacional de Livrarias (ANL) estima que existam mais de mil pequenos estabelecimentos distribuídos pelo país que podem se enquadrar nessa categoria de livrarias de rua, independentes e de bairro. A entidade, presidida por Alexandre Martins Fontes, afirmou que não se manifesta oficialmente sobre posições políticas, embora seu representante tenha admitido que o movimento pró-Lula se fortalece e que a frase "não cansa de fazer o L" é uma maneira de expressar apoio ao candidato petista. Por sua vez, a Câmara Brasileira do Livro (CBL), principal entidade do setor, declarou que "não manifesta apoio institucional a candidatos ou partidos políticos" e que representa um setor plural e diverso, evitando any posicionamento partidário.
Embora o mercado editorial seja marcado por opiniões variadas — que vão desde posições mais conservadoras até apoio explícito ao candidato do PT —, a manifestação das pequenas livrarias independentes tem gerado repercussão. Algumas pessoas, nos comentários das postagens, têm reclamado do posicionamento das lojas, o que mostra a divisão e a polarização ainda forte no setor, reflexo do cenário político nacional. Ainda não há confirmação oficial de manifestações semelhantes por parte de editoras ou de outras entidades do setor, embora alguns grupos independentes tenham feito postagens públicas em apoio à candidatura de Lula.
A iniciativa chama atenção por sua originalidade e pelo caráter de mobilização de pequenas empresas do setor do livro, tradicionalmente consideradas neutras ou abstencionistas em assuntos políticos. Como essa postura será recebida por consumidores e pelo mercado ainda é incerto, assim como possíveis repercussões no ambiente político mais amplo. A poucos dias da votação, o movimento das livrarias destaca uma faceta diferente do envolvimento das pequenas empresas culturais na disputa democrática, evidenciando a importância dos livros e da leitura na formação de uma opinião consciente.
Publicidade
O que sabemos?
✓Um grupo de cerca de 60 livrarias independentes de várias regiões do Brasil promove apoio público a Lula no segundo turno.
✓A iniciativa começou com a livreira Elisa Quadros, na cidade de Anchieta, e utiliza redes sociais com mensagens como "Livro é futuro".
✓A Associação Nacional de Livrarias estima que existam mais de mil lojas do tipo no Brasil, mas ainda não há confirmação oficial de movimento semelhante por outras entidades.
✓A Câmara Brasileira do Livro afirma que não se manifesta oficialmente sobre apoio a candidatos políticos, destacando o caráter plural do setor.