A presença militar na política recrudesce em 2026, apesar de redução de candidaturas
Número de candidatos e eleitos das forças de segurança mostra tendência de militarização contínua
Dados do TSE indicam aumento na proporção de políticos oriundos de forças militares e policiais em 2026, mesmo com queda no total de candidaturas.
Apesar de uma diminuição no número total de candidatos declarados oriundos das forças militares e de segurança na eleição de 2026, a presença desses profissionais na política brasileira voltou a atingir níveis recordes em termos de proporção, segundo levantamento baseado em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo informações obtidas pela reportagem, 99 candidatos ligados a essas forças tiveram sucesso nas urnas, representando 8% do total de concorrentes nesse segmento, um aumento em relação aos 94 eleitos em 2022, mas ainda inferior aos 118 militares ou policiais eleitos em 2018, período marcado por uma forte onda bolsonarista. Segundo a fonte, o crescimento na proporção revela que a militarização da política continua em alta, mesmo com uma menor quantidade absoluta de candidaturas, que caíram 36,4% em relação a 2022, quando havia 1.924 candidatos nessa categoria. Nosso levantamento mostra que, neste ano, 1.233 candidatos declararam ser oriundos de forças de segurança ou usaram referências às suas patentes nas urnas, o que corresponde a 5,9% do total de concorrentes. Apesar do declínio no número total de candidaturas, a proporção mantém-se estável na faixa dos 8%, quota que foi atingida também em 2018, na fase mais intensa do ciclo iniciado com a eleição de Jair Bolsonaro. A eleição de 2026 ocorre em momento onde ainda não há confirmação oficial de que integrantes das forças militares ou policiais tenham sido condenados por tentativa de golpe, embora essa questão seja aponta como relevante no contexto político atual. Segundo fontes, há também candidatos que, embora não tenham declarado oficialmente sua ocupação militar na ficha eleitoral, utilizam seus nomes de forma a indicar essa origem, como é o caso de alguns governadores e parlamentares eleitos, entre eles nomes que não usam suas patentes no nome de urna. Por exemplo, os governadores que tiveram origem no Exército — um deles reassumindo em 2026 o cargo de governador —, tendem a não declarar suas patentes na campanha, diferentemente de outros candidatos que lançavam mão delas explicitamente nas eleições anteriores, o que indica uma estratégia de comunicação eleitoral. Assim, a presença de militares e policiais na política mostra-se consolidada nos últimos anos, reafirmando uma tendência iniciada em 2018 que, apesar do recuo no volume de candidaturas, mantém a forte proporção de representantes desse universo no Congresso e em cargos executivos estaduais. Ainda não há confirmação oficial se essa tendência deve se consolidar ou se haverá mudanças significativas no futuro próximo, uma vez que o cenário político permanece dinâmico e sujeito a novas interpretações das forças de segurança no país.
O que sabemos?
- Número de candidatos militares ou policiais eleitos em 2026 é 99 (8% do total dessa categoria).
- Em 2022, esse número foi 94, com 4,9% do total de candidatos do segmento.
- Em 2018, o total de candidatos eleitos foi 118, marcando o auge da militarização na política recente.
- O total de candidatos nesse segmento em 2026 foi de 1.233, representando 5,9% do total de candidatos.
- Total de candidatos diminuiu 36,4% em relação a 2022, que teve 1.924 candidatos.
- Apesar da redução absoluta, a proporção de candidatos militares e policiais se manteve — em 2018, 2019 e agora 2026, indica estabilidade na presença dessas forças na política.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa




