Previsões da Shell indicam recordes de lucros e custos elevados com guerra no Oriente Médio
Mudanças na produção de petróleo podem impactar economia global conforme conflito se intensifica
A Shell espera margens de refino recordes no terceiro trimestre devido ao aumento dos preços do petróleo causado pelo conflito no Oriente Médio, enquanto ajusta suas previsões de produção.
Segundo fontes da Shell, a gigante do petróleo, as margens de refino para o terceiro trimestre deste ano podem alcançar US$ 42 por barril, o que representa um recorde histórico e um aumento substancial em relação aos US$ 24 registrados no trimestre anterior. Essa alta ocorre em um contexto de conflito prolongado no Oriente Médio, que vem restringindo o fornecimento de combustíveis e elevando os preços globais do petróleo. Ainda não foi oficialmente confirmado se essa previsão se cumprirá, mas os analistas apontam que o cenário de instabilidade geopolítica, especialmente após ataques próximos ao Irã e o fechamento do estreito de Hormuz, tem impacto direto na cadeia de produção e distribuição de petróleo.
O aumento nos preços do petróleo bruto Brent, referência internacional, vem acontecendo desde o final de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel passaram a atacar alvos no Irã, levando Teerã a fechar a passagem marítima crucial e a atacar países vizinhos do Golfo. Na quarta-feira, o barril era negociado acima de US$ 101, valor que ainda não foi confirmado oficialmente, mas que influencia toda a economia internacional de energia. Para a Shell, esse cenário de preços mais altos deve gerar lucros extraordinários, especialmente nas operações de comercialização de gás e derivados de petróleo, setores que, segundo a fonte, ajudaram a empresa a alcançar seu segundo maior lucro trimestral na história recentemente.
Além disso, a Shell ajustou suas previsões de produção de petróleo e gás natural liquefeito (GNL) para o terceiro trimestre. A produção de gás deve ficar entre 7,2 milhões e 7,6 milhões de toneladas métricas, uma ligeira redução em relação às projeções anteriores, e abaixo da produção do segundo trimestre, que foi de 7,7 milhões de toneladas. Quanto à produção de upstream, que envolve a extração direta de petróleo e gás, a projeção foi reduzida para uma faixa entre 1,74 milhão e 1,84 milhão de barris por dia, ficando abaixo da expectativa anterior de até 1,88 milhão. Originalmente, a estimativa era de 570 mil a 630 mil barris por dia, mas foi elevada após análises internas, embora ainda não haja confirmação oficial de uma nova previsão final.
O contexto econômico internacional, com os preços do petróleo em alta e incertezas geopolíticas, preocupa especialistas sobre possíveis efeitos na inflação mundial e no custo de vida. A Shell, que produz atualmente cerca de 631 mil barris por dia, viu sua produção diminuir drasticamente desde o início do conflito no Irã, que antes atingia mais de 900 mil barris diários. Ainda não há uma avaliação definitiva de como esses fatores afetarão o balanço final da empresa neste trimestre, pois o clube não se pronunciou oficialmente, e há ainda uma demanda por confirmação de alguns números. O impacto de toda essa turbulência reforça a importância de acompanhar os desdobramentos no cenário global, dado que as grandes petrolíferas podem obter lucros bilionários com esses preços inflacionados, embora os riscos de instabilidade permaneçam elevados.
O que sabemos?
- A Shell prevê margens de refino de US$ 42 por barril no terceiro trimestre, um recorde.
- O preço do petróleo Brent estava acima de US$ 101 na quarta-feira.
- A produção de gás natural liquefeito deve ficar entre 7,2 e 7,6 milhões de toneladas no terceiro trimestre.
- Produção de petróleo da Shell caiu de mais de 900 mil para 631 mil barris por dia desde o início do conflito no Irã.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa





