Diretora do FMI alerta sobre riscos econômicos globais ligados à guerra, energia e inteligência artificial
Kristalina Georgieva afirma que o cenário internacional enfrenta ameaças distintas e desiguais
Kristalina Georgieva, chefe do Fundo Monetário Internacional, destacou que a economia mundial está sob forte ameaça devido a conflitos, preços elevados de energia e o impacto do avanço da inteligência artificial. Ela recomenda medidas governamentais para mitigar os riscos.
A chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, afirmou nesta quarta-feira (7) que a economia mundial enfrenta uma situação delicada, marcada por conflitos no Oriente Médio, preços elevados de energia e o crescimento acelerado de investimentos em inteligência artificial, que também contribui para a inflação. Segundo Georgieva, os governos globais precisam adotar medidas fiscais e monetárias de proteção, pois o cenário atual decorre de forças que agem de maneiras distintas ao redor do mundo.
De acordo com a diretora-gerente do FMI, o impacto das duas principais forças econômicas — uma negativa, relacionada à oferta de energia diante de conflitos no Oriente Médio, e outra positiva, proveniente do boom de inovação na área de inteligência artificial — é altamente desigual. Ela explicou que, enquanto alguns países começam a sentir os efeitos do aumento na demanda por energia, outros já enfrentam dificuldades por causa das tensões internacionais e da redução das exportações de petróleo. Ainda segundo Georgieva, esses fatores pressionam a inflação global e elevam as taxas de juros em diversos mercados.
A previsão do FMI, que será atualizada na próxima semana durante reuniões em Bancoc, indica que as economias mais afetadas pela guerra devem registrar revisões para baixo em suas projeções de crescimento. Entre os exemplos citados pela própria Georgieva estão a Ucrânia, que sofre danos severos em sua infraestrutura, e países do Golfo que enfrentam ataques iranianos e uma redução significativa nas exportações de energia. Apesar de essas indicações, ela não confirmou se a previsão global de crescimento para 2026, atualmente em 3%, sofrerá alterações na atualização do relatório "Perspectivas da Economia Mundial".
Outro fator que contribui para a complexidade da situação são os preços do petróleo, que permanecem em torno de US$ 100 por barril, bem acima da média prevista pelo FMI de US$ 89 em 2026. Georgieva explicou que a capacidade reduzida de refino, aliada ao aumento da demanda durante o inverno no Hemisfério Norte, mantém os preços altos. Ela ressaltou ainda que, apesar da possibilidade de o conflito no Golfo se resolver “em breve”, a crise energética deve persistir por algum tempo, impactando a inflação e os custos de energia globalmente. Os contratos futuros do petróleo Brent indicam preços elevados até 2027, o que sinaliza continuidade na pressão de custos para consumidores e governos ao redor do mundo.
Para Georgieva, essa combinação de fatores deve provocar um efeito em cadeia: o aumento nos preços de energia eleva a inflação, faz subir as taxas de juros e aumenta os rendimentos de títulos de dívida de países como Estados Unidos, Alemanha e Japão, que já atingiram seus maiores níveis desde 2007, 2009 e 1996, respectivamente. Essas condições, segundo ela, reforçam os riscos de uma desaceleração econômica global mais acentuada, especialmente nas nações mais afetadas pelos conflitos e pela crise de energia. As medidas que os governos adotarem agora serão cruciais para evitar um impacto mais profundo na recuperação econômica mundial, afirmou Georgieva.
What we know: a preocupação central do FMI é que a combinação de guerra, altos preços de energia e avanço da inteligência artificial esteja criando uma tempestade perfeita para a economia global, com efeitos desigual ao redor do mundo, especialmente em regiões afetadas por conflitos. Os preços do petróleo continuam altos, e a inflação, por consequência, fica mais difícil de controlar. Os próximos dias poderão revelar se as previsões do FMI serão revisadas para baixo, refletindo uma crise mais ampla.
O que sabemos?
- A economia global está ameaçada por guerra, preços elevados de energia e o impacto da inteligência artificial.
- Preços do petróleo permanecem em torno de US$ 100 por barril, acima das projeções do FMI.
- Economias afetadas pela guerra, como Ucrânia e países do Golfo, podem sofrer revisões negativas nas projeções de crescimento.
- Inflação e altas taxas de juros continuam elevadas em mercados importantes como EUA, Alemanha e Japão.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa





