Economia

Geração Z vê casa própria como meta distante em cenário de juros altos

Em apuração ?

Falta de segurança econômica e altos custos dificultam sonho da moradia própria para jovens brasileiros

Jovens brasileiros discutindo suas finanças e escolhas de moradia
Imagem: Folha de S.Paulo

Pesquisas mostram que, apesar de grande interesse em adquirir imóveis, poucos jovens da geração Z consideram a compra um investimento, citando dificuldades financeiras e cenário econômico instável.

Um levantamento recente revela que a geração Z, composta por jovens entre 1997 e 2012, encara a conquista da casa própria como uma meta cada vez mais distante. Segundo uma fonte que acompanha estudos de mercado imobiliário, embora metade dos jovens entrevistados declare intenção de adquirir um imóvel nos próximos anos, apenas 14% deles veem a aquisição como um investimento financeiro de longo prazo. Essa mudança de percepção ocorre em um momento de juros elevados e renda pressionada, fatores que dificultam o acesso ao crédito habitacional.

Segundo a mesma fonte, especialista em finanças comportamentais, o cenário atual altera a visão tradicional de que a compra de um imóvel seria um caminho natural para a segurança financeira. “A mudança está na percepção de acesso”, afirma. Ela explica que, quando o imóvel é considerado como investimento, surge também a questão da liquidez — ou seja, de convertê-lo em dinheiro rapidamente — o que se torna mais difícil em um cenário de juros altos e altos custos iniciais. Antes, educação e um bom emprego eram considerados passos seguros para garantir a moradia própria, mas sucessivas crises, incluindo a pandemia de Covid-19, parecem ter mudado essa lógica.

O psicólogo Henrique Pasquin, de 26 anos, ilustra esse movimento. Ele declara que prioriza aplicações financeiras mais líquidas, como CDBs, por sentir maior segurança em um futuro incerto. “Sinto uma insegurança significativa a respeito do cenário econômico futuro, tanto nacional quanto global, e esse receio me leva a um aporte mais conservador”, afirmou. Para ele, montar uma reserva de emergência é prioridade, mesmo que isso signifique pagar aluguel por alguns anos mais, pois acredita que essa estratégia oferece maior resistência às instabilidades atuais. Além disso, Pasquin revela que, na sua visão, comprar um imóvel ainda pode ser interessante a longo prazo, por sua valorização potencial, mas admite que levaria pelo menos uma década para juntar capital suficiente para esse passo.

Outro ponto relevante é a deterioração do poder de compra dos jovens, que, segundo um especialista da gestora de patrimônio, tornou a aquisição da casa própria mais difícil do que há duas décadas. “Hoje, mesmo os jovens mais bem remunerados enfrentam esforços proporcionais a uma maior dificuldade de acesso ao mercado imobiliário”, explica. A combinação de juros altos, preços elevados e salários que, em muitos casos, não acompanham essa escalada é vista como um obstáculo que faz com que muitos jovens adiem ou até pensem em abandonar o sonho da moradia própria por agora.

Apesar de ainda não ter confirmação oficial, fontes sugerem que a situação reflete uma mudança de perspectiva no comportamento de jovens brasileiros frente ao mercado imobiliário. A notícia ganha relevo ao mostrar como fatores econômicos e sociais podem influenciar diretamente a visão de futuro de uma geração, que, mesmo com grande interesse, encontra dificuldades reais para realizar o sonho da casa própria.

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O que sabemos?

  • Geração Z busca segurança financeira e adia compra de imóvel devido ao cenário econômico.
  • Apenas 14% dos jovens que pretendem comprar imóveis veem isso como investimento.
  • Juventudes sentem insegurança quanto ao cenário econômico nacional e global.
  • A deterioração do poder de compra aumentou o esforço para adquirir imóvel em comparação aos anos 2000.

Fontes

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