Economia

EUA planejam emitir até US$ 1 trilhão em títulos de curto prazo no próximo ano

Em apuração ?

Especialistas alertam para aumento na dependência de títulos com vencimento rápido, ampliando vulnerabilidade econômica

Gráfico de desempenho de títulos públicos dos EUA na Bolsa de Nova York
Imagem: Folha de S.Paulo

Os bancos de Wall Street projetam uma emissão recorde de títulos de curto prazo pelos EUA, elevando preocupações sobre sua política de financiamento.

Segundo fontes do Financial Times, os Estados Unidos devem vender até US$ 1 trilhão em títulos de curto prazo, conhecidos como Letras do Tesouro, nos próximos 12 meses, uma cifra que representa uma dependência crescente de instrumentos financeiros com vencimento em até um ano. Essas projeções, feitas pelo Bank of America, indicam uma estratégia do governo americano de captar recursos de forma rápida para financiar suas despesas, em meio ao aumento da dívida pública e do volume de recursos captados por empresas para investir em setores como inteligência artificial.

De acordo com o banco, a emissão total de títulos, excluindo recursos para quitar dívidas existentes, deve atingir aproximadamente US$ 1,07 trilhão até setembro de 2027. Outras instituições financeiras, como o JPMorgan e o Goldman Sachs, também estimaram números semelhantes, apontando para uma quantidade em torno de US$ 1,09 trilhão e US$ 961 bilhões, respectivamente. O crescimento dessa prática ocorre em um momento em que os títulos de 10 anos do Tesouro americano atingiram o nível mais alto desde 2007, refletindo preocupações sobre o aumento da dívida pública e a resposta às políticas econômicas atuais.

Especialistas ouvidos pelo jornal alertam para o risco dessa dependência de títulos de curto prazo. Mark Cabana, chefe de estratégia para juros nos EUA no Bank of America, comentou que a emissão massiva de Letras pode aumentar a volatilidade dos custos de financiamento do governo, além de elevar o volume de juros pagos futuramente. Já Adam Josephson, da Sakonnet Research, destacou que essa prática tende a tornar os custos de serviço da dívida mais instáveis e difíceis de prever.

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, vem tentando equilibrar essa estratégia com a compra de títulos de longo prazo, entre 10 e 30 anos, que aumentou recentemente. Apesar disso, a política de ampliar as vendas de dívidas de curto prazo parece contrariar a meta oficial do governo, que é manter a proporção de letras em circulação em torno de 20% da dívida negociável, um percentual que, segundo projeções, poderá chegar a cerca de 24,3% até o próximo ano e próximos anos, aproximando-se dos níveis alcançados durante a crise financeira de 2008 e a pandemia.

Tal cenário preocupa analistas que avaliam que uma maior emissão de títulos de curto prazo pode elevar a conta de juros e aumentar a instabilidade financeira, sobretudo em um momento de aumento geral dos juros no mercado global. A situação demonstra uma dependência que, embora útil para o financiamento imediato, traz riscos que ainda não foram totalmente esclarecidos pelas autoridades americanas, aguardando confirmação oficial de várias análises e projeções.

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O que sabemos?

  • EUA podem vender até US$ 1 trilhão em títulos de curto prazo no próximo ano.
  • Projeções do Bank of America, JPMorgan e Goldman Sachs indicam valores próximos desse montante.
  • Os títulos de 10 anos atingiram nível máximo desde 2007, refletindo aumento da dívida pública.
  • Especialistas alertam para maior volatilidade nos custos de financiamento devido à emissão de letras.
  • Secretário do Tesouro aborda compra de títulos de longo prazo para equilibrar a política econômica.

Fontes

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