Economia

Banco Central mantém cortes na Selic, mas sinais de desaceleração preocupam economistas

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Taxa de juros foi reduzida para 13,75% ao ano, enquanto indicadores apontam para uma economia mais fraca em 2027

Gráfico mostrando a redução da taxa Selic ao longo de 2023
Imagem: Folha de S.Paulo

A redução da taxa básica de juros no Brasil segue em pauta, mesmo com sinais de desaceleração econômica e riscos externos. Especialistas alertam para desafios fiscais e alta dos custos de financiamento.

O Banco Central do Brasil indicou, na última quarta-feira, que irá continuar a redução da taxa básica de juros, a Selic, que passou de 14% para 13,75% ao ano. Segundo fontes da autoridade monetária, essa decisão leva em conta a percepção de que a inflação deve se estabilizar próxima da meta de 3% ao ano no início de 2028, refletindo uma economia em ritmo de desaceleração.

O banco destacou que o ritmo de atividade econômica vem caindo de forma mais pronunciada, evidenciado pela estagnação até o trimestre encerrado em julho e por diversos indicadores preliminares de agosto. Ainda assim, a autoridade monetária sinalizou que, apesar da retração, ainda não é momento de interromper a política de cortes e que a expectativa é de mais reduções na taxa de juros nos próximos meses. Essa postura é sustentada pela visão de que uma política monetária mais restritiva, com juros elevados, deve ser mantida até que haja uma melhora mais consistente no crescimento econômico.

Por outro lado, há preocupações sobre fatores externos e internos que podem dificultar esse cenário. A alta do dólar, possíveis novos choques de preços advindos do petróleo e efeitos do fenômeno climático El Niño são considerados ameaças à estabilidade de preços. Ainda de acordo com fontes do banco, o real, que tem se mostrado relativamente resistente às variações das taxas de juros nos Estados Unidos, pode ser impactado se houver maior instabilidade financeira por lá, pois a economia americana tem apresentado taxas de juros elevadas e aumento nos rendimentos de seus títulos.

Na perspectiva de longo prazo, as projeções para o crescimento do Brasil em 2027 vêm sendo revistas para baixo, atualmente em torno de 1,5%, uma tendência que deve se intensificar caso o cenário de incerteza e juros altos permaneça. Especialistas indicam que, para retomar um ritmo de expansão mais robusto, o país precisaria de um plano de ajuste fiscal sério e crível por parte do próximo governo, o que não está garantido a curto prazo. Sem reformas e controle de gastos públicos, o endividamento de famílias e empresas deve permanecer alto, dificultando o pagamento de dívidas e a concessão de novos créditos.

Enquanto isso, a expectativa de desaceleração econômica deve afetar o mercado de trabalho, com uma possível redução no número de pessoas ocupadas e na renda média, elevando ainda mais os índices de inadimplência. Esses fatores, somados ao elevado custo do crédito devido às altas taxas de juros de longo prazo, tendem a restringir o investimento e limitam as perspectivas de crescimento econômico sustentado, mesmo com eventuais alívios fiscais ou reformas estruturais. Assim, a conjuntura atual reforça uma espécie de círculo vicioso, no qual o crescimento se desacelera, as contas públicas ficam mais difíceis de equilibrar e o horizonte político também se torne mais desafiador, com dificuldades de convencimento tanto no Congresso quanto na sociedade.

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O que sabemos?

  • A taxa Selic foi reduzida de 14% para 13,75% ao ano na quarta-feira.
  • O Banco Central acredita que a inflação chegará perto da meta de 3% ao início de 2028.
  • Indicadores preliminares indicam uma desaceleração na atividade econômica até julho e em agosto.
  • Projeções para o crescimento do PIB em 2027 estão em torno de 1,5%, com tendência de piora.
  • A crise fiscal, a alta do dólar e os impactos do clima, como o El Niño, ameaçam a estabilidade econômica.

Fontes

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