Fim da escala 6x1: trabalhadores comemoram redução de jornada e estudos apontam ganhos de produtividade
Mudança na rotina de trabalho é celebrada por sindicatos, com estudos indicando impactos positivos a longo prazo
A implantação da jornada de 40 horas semanais no Brasil, trocando o sistema 6x1 pela escala 5x2, tem gerado debates sobre produtividade e bem-estar. Pesquisas indicam benefícios econômicos e sociais.
Desde a promulgação da emenda constitucional 141, que define a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem corte salarial, trabalhadores brasileiros têm comemorado a mudança na rotina laboral. Essa alteração, que substitui o antigo sistema de trabalho em escala 6x1, vem sendo celebrada por sindicatos, especialmente por aqueles que defendem maior equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Segundo estudos divulgados recentemente, essa mudança não deve comprometer a produtividade do setor produtivo do país, trazendo, ao contrário, possíveis ganhos ao longo do tempo.
Segundo uma pesquisa do Cesit, da Unicamp, que avaliou a viabilidade econômica da redução da carga horária, há uma tendência de aumento na produtividade do trabalho no Brasil entre 2012 e 2024, com um crescimento acumulado de 12%. Ainda de acordo com o estudo, esse avanço contribui para um crescimento econômico de cerca de 25%, o que, na visão dos pesquisadores, garante que o país possa implementar a nova jornada de trabalho sem perdas econômicas significativas. Além disso, o levantamento aponta que a produtividade acumulada desde 1988, impulsionada pela automação, robótica e inteligência artificial, reforça a segurança de transição para uma jornada menor sem prejuízos ao setor.
Para entender o cenário internacional, uma pesquisa da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que analisou países ao redor do mundo, revela que sete em cada dez nações que reduziram a carga horária ou adotaram jornadas flexíveis relataram aumento na produtividade. Ainda de acordo com o estudo, em muitos países o trabalho de 40 horas por semana é o padrão, enquanto uma parcela significativa da força de trabalho atua com horários reduzidos. Nesse contexto, o Brasil destaca-se por sua produtividade crescente, mesmo com o custo do trabalho ainda relativamente baixo quando comparado a países desenvolvidos.
Segundo fontes do setor, o custo horário do trabalho no Brasil, que era de aproximadamente 6,31 dólares em 2020, é inferior ao de países como o Chile, onde esse valor foi de 13,65 dólares em 2022. Especialistas indicam que o aumento da produtividade gera um excedente de valor por hora trabalhada, o qual pode ser redistribuído aos trabalhadores na forma de mais tempo livre. Essa dinâmica, que já se manifesta há anos com o avanço das inovações tecnológicas nas últimas décadas, tende a beneficiar o país ao oferecer uma melhor qualidade de vida aos trabalhadores sem comprometer a economia.
Por ora, a mudança na legislação e os estudos de viabilidade ainda aguardam confirmações de outras fontes e análises mais aprofundadas. O que se sabe é que a transição para a jornada de 40 horas semanais, apoiada por pesquisas e que já vem sendo adotada em outros países, representa uma mudança relevante nas relações de trabalho no Brasil, cujo efeito ainda será observado ao longo dos próximos anos.
O que sabemos?
- A redução da jornada para 40 horas semanais foi promulgada pela emenda constitucional 141.
- Estudos indicam que a produtividade brasileira cresceu 12% entre 2012 e 2024.
- Pesquisas mostram que 7 em cada 10 países que reduziram carga horária relataram aumento de produtividade.
- O custo horário do trabalho no Brasil é de aproximadamente 6,31 dólares, enquanto no Chile era de 13,65 dólares em 2022.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa





