Falência da Refit reacende alerta sobre refinarias privadas no Brasil
FUP cobra fiscalização rigorosa e monitora queda na produção da Refinaria de Manaus após privatizações
A decretação de falência do Grupo Refit pela Justiça do Rio de Janeiro motivou a Federação Única dos Petroleiros a pedir investigação mais rigorosa das refinarias privadas brasileiras. A entidade aponta uso de unidades para estocagem e fraudes em meio a restrição global de combustíveis.
A falência decretada pela Justiça do Rio de Janeiro contra o Grupo Refit voltou a provocar discussões sobre a fiscalização das refinarias privadas no País. Segundo a Federação Única dos Petroleiros (FUP), a situação do grupo, alvo recente de operações da Polícia Federal, funciona como um alerta para a necessidade de mais controle e transparência no setor.
De acordo com a coordenadora-geral da FUP, Cibele Vieira, o momento internacional de escassez de combustíveis, causado por tensões geopolíticas e ataques a infraestruturas de refino ao redor do mundo, torna ainda mais urgente a supervisão eficiente das refinarias brasileiras. "Enquanto o mundo sofre com escassez de combustíveis por conta da guerra, que dificulta a movimentação de petróleo e também tem destruído refinarias, vemos no Brasil refinarias privadas que, ao invés de estarem produzindo, serviam apenas para estocagem e fraudes tributárias", afirmou a dirigente.
Um exemplo que traz inquietação à FUP é a situação da Refinaria Isaac Sabbá (Reman), localizada em Manaus (AM), vendida pela Petrobras ao Grupo Atem em 2022. Segundo a entidade, a unidade registrou drástica redução no volume de refino: entre 2020 e 2022, processava cerca de 40 mil barris de petróleo por dia, mas esse número caiu para menos de 10 mil barris por dia em 2024. Ainda segundo a FUP, em 2025 a Reman parou de receber petróleo oriundo do campo Urucu para processamento.
Cibele destaca que esse quadro levanta dúvidas sobre a função estratégica das refinarias privatizadas. "Que o caso da Refit sirva para aumentar a lupa em outras refinarias, como na de Manaus", afirmou, defendendo que as autoridades estejam atentas se estas unidades realmente colaboram para o abastecimento nacional.
A decretação da falência do Grupo Refit ocorreu no último dia 31, e a entidade não informou valores financeiros envolvidos nem detalhes adicionais sobre os processos que levaram ao colapso do grupo. Até o momento, as informações sobre essa situação são baseadas em apuração feita pela CNN Brasil e ainda não foram confirmadas por outras fontes oficiais ou pronunciamento do grupo falido.
Este cenário, marcado por instabilidades no mercado global de petróleo e desafios internos administrativos, reforça o debate sobre o futuro das refinarias privatizadas no Brasil. O caso da Refit é um exemplo de alerta para o setor, principalmente em um período no qual a produção local de combustíveis é crucial para garantir o abastecimento e minimizar impactos externos.
O que sabemos?
- A Justiça do Rio de Janeiro decretou a falência do Grupo Refit no dia 31 de julho.
- A Federação Única dos Petroleiros (FUP) pediu fiscalização mais rigorosa das refinarias privadas no Brasil após a falência.
- A Refinaria Isaac Sabbá (Reman) em Manaus teve queda no volume de processamento de 40 mil para menos de 10 mil barris por dia entre 2020 e 2024.
- Em 2025, a Reman parou de receber petróleo do campo Urucu para processamento, segundo dados da FUP.
Fontes
- CNN Brasil imprensa




