Universidade brasileira ainda não acompanha envelhecimento acelerado da população
Em quatro décadas, idosos superarão número de crianças, mas pesquisas focam majoritariamente em saúde e cuidados
Levantamento revela que apenas 11 programas de pós-graduação têm foco em envelhecimento, e mais da metade das linhas de pesquisa concentra-se em saúde, deixando de lado questões como finanças, lazer e moradia.
O Brasil está passando por uma transformação rápida e profunda: em cerca de quatro décadas, haverá mais idosos no país do que crianças, segundo análise da Folha de S.Paulo. Essa mudança demográfica, que na Europa levou um século para ocorrer, acontece em apenas uma geração por aqui, invertendo a tradicional pirâmide etária que sustentava a imagem de uma nação jovem.
No entanto, segundo o levantamento realizado em um mapeamento dos programas de pós-graduação brasileiros, o sistema universitário e o mercado parecem ainda não ter absorvido esse cenário. Atualmente, existem 11 programas de mestrado e doutorado no país com foco explícito em envelhecimento, em sua maioria reunidos na rede Reprinte, sinalizando que o campo de estudo para a população idosa existe e está se consolidando.
Mas, ao analisar as 23 linhas de pesquisa desses programas, mais da metade se dedica exclusivamente a temas relacionados à saúde e ao cuidado, como medicina, biologia, funcionalidade, clínica e atenção primária. Curiosamente, nenhuma das linhas de pesquisa menciona no título áreas fundamentais para a qualidade de vida dos idosos, como finanças pessoais, moradia, espaço público, lazer ou sexualidade, que acabam sendo tratadas, quando abordadas, apenas como nota de rodapé.
Essa tendência se repete fora do campo da gerontologia, em áreas como economia, ciências sociais, comunicação e psicologia. Nessas disciplinas, que poderiam pensar o idoso como cidadão ativo e corpo desejante, e não apenas como paciente, o envelhecimento quase não aparece como tema de estudo, conforme mostrou a reportagem da Folha de S.Paulo, única fonte dessas informações até o momento.
O retrato que emerge dessa análise levanta questões sobre como o Brasil está preparado para lidar com as necessidades de uma população que envelhece rapidamente e em número crescente. A falta de foco em aspectos que impactam diretamente o dia a dia da pessoa idosa indica um desafio a ser enfrentado em termos de políticas públicas, pesquisa acadêmica e mercado, para garantir não só longevidade, mas qualidade de vida.
O que sabemos?
- O Brasil terá mais idosos do que crianças em quatro décadas.
- Existem 11 programas de pós-graduação com foco em envelhecimento no país.
- Mais da metade das linhas de pesquisa desses programas concentra-se em saúde e cuidados.
- Áreas como finanças, moradia e lazer raramente são abordadas nas pesquisas sobre envelhecimento.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa




