Economia

Debate no Congresso sobre exclusividade dos Correios na isenção da 'taxa das blusinhas' adia votação da MP

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Projeto prevê transporte obrigatório pelas estatais e reavaliação periódica dos impactos para o comércio nacional

Edifício do Congresso Nacional durante discussão da MP sobre importações
Imagem: Folha de S.Paulo

A votação da medida provisória que extingue o imposto de até 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, mais conhecidas como 'taxa das blusinhas', foi adiada para o dia 1º de agosto devido a mudanças negociadas entre parlamentares e o governo Lula. Entre as propostas está a obrigatoriedade do transporte das remessas pelos Correios, que enfrentam crise financeira.

O Congresso Nacional adiou a votação da medida provisória (MP) que elimina a chamada "taxa das blusinhas" — imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 (cerca de R$ 258). Inicialmente prevista para a segunda-feira, 31 de julho, a sessão foi transferida para esta terça-feira, 1º de agosto, após negociações entre os parlamentares e o governo Lula (PT), informou a Folha de S.Paulo.

Segundo relatos da Folha e do UOL Notícias, as discussões de bastidores giraram em torno de duas alterações importantes na proposta: a inclusão de uma reavaliação periódica sobre os efeitos da medida para a indústria e o varejo nacionais e a imposição de que as remessas beneficiadas pela isenção da taxa sejam obrigatoriamente transportadas pelos Correios, a estatal brasileira de serviços postais.

A relatora da MP, senadora Leila do Vôlei (PDT-DF), atrasou a apresentação do parecer justamente para incorporar essas alterações. Após essas modificações, a comissão mista que discute o texto pretende buscar o aval dos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para a finalização do documento.

Publicada em maio deste ano, às vésperas das eleições, a medida provisória visa reverter uma taxação que o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou em 2024 após negociação com o Congresso para proteger o varejo nacional. Na prática, a MP extingue o imposto de até 20% sobre compras no exterior de valor até US$ 50, benefício apelidado popularmente de "taxa das blusinhas". Contudo, a novidade na proposta é a tentativa de manter exclusividade do transporte dessas encomendas pelos Correios.

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Os Correios, por sua vez, enfrentam uma grave crise financeira com perdas contínuas e necessidade de novo aporte de recursos públicos. A ideia de vincular a isenção do imposto à condição de que a estatal faça o transporte das encomendas pode ser vista como uma forma de sustentar a empresa, embora ainda não existam detalhes oficiais sobre como essa regra será implementada ou fiscalizada.

Essa combinação de isenção tributária condicionada a um contrato exclusivo com uma empresa estatal suscita debates sobre concorrência, proteção ao comércio local e a sobrevivência dos Correios no cenário atual.

Até o momento, não houve pronunciamento oficial do governo ou dos Correios sobre a versão final da proposta após as negociações, e o impacto real da medida será objeto da reavaliação periódica prevista na MP, que deverá acompanhar consequências para o setor industrial e varejista do país.

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O que sabemos?

  • A votação da MP que elimina o imposto de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 foi adiada de 31 de julho para 1º de agosto.
  • O adiamento ocorreu após negociações entre parlamentares e o governo por conta da inclusão da reavaliação periódica dos impactos e da obrigatoriedade de transporte pelas remessas serem feitas pelos Correios.
  • A MP foi editada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para reverter taxação sancionada em 2024 que protegia o varejo nacional.
  • Os Correios enfrentam crise financeira e a medida prevê condicionar a isenção do imposto ao transporte das encomendas pela estatal.

Fontes

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