Novas descobertas com cannabis e cães geneticamente modificados podem revolucionar saúde e alergias
Estudos recentes mostram potencial de THC contra câncer de mama e criam beagles que não causam alergia
Pesquisas médicas avançadas revelam que doses baixíssimas de THC podem reduzir agressividade de tumores de mama, enquanto cães geneticamente editados prometem acabar com alergias comuns a humanos.
Pesquisadores seguem desvendando os segredos da natureza para ajudar na luta contra doenças graves e incômodos do dia a dia. Um estudo recente publicado em Communications Biology mostrou que o composto psicoativo da cannabis, o THC, em doses ultrabaixas, pode ajudar a impedir a progressão do câncer de mama. Os cientistas aplicaram uma pequena dose durante quatro dias em organoides, que são modelos tridimensionais de tumores mamários cultivados em laboratório a partir de células humanas e de camundongos. Eles observaram que o tratamento reduziu a capacidade das células cancerosas de se tornarem mais imaturas e agressivas, um fenômeno conhecido como plasticidade celular, que dificulta terapias tradicionais como quimioterapia e radioterapia.
Segundo a pesquisa, o THC atua no sistema endocanabinoide, um conjunto de receptores e moléculas presentes no corpo, conhecidos por regular processos de desenvolvimento celulares semelhantes aos que ocorrem tanto em tumores quanto no embrião. O experimento focou nos receptores chamados CB1R e CB2R, usando moléculas que estimulam sua atividade para "travar" as células cancerosas em um estado menos invasivo e proliferativo, diminuindo sua capacidade de iniciar novos tumores.
Na outra ponta da ciência, uma empresa chamada Kindred Companion Sciences alcançou um marco inédito na genética animal: a criação dos primeiros beagles editados para não produzirem uma proteína que desencadeia alergias em humanos. Batizados de Alfie e Bailey, os filhotes nasceram em setembro de 2024 após uma série de manipulações genéticas usando a técnica CRISPR, reconhecida mundialmente e premiada com o Nobel. A proteína Can f 1, presente em cães, é a principal responsável pelos sintomas alérgicos em cerca de uma em cada oito pessoas nos Estados Unidos.
Matt Walker, geneticista e CEO da Kindred, contou ao New Scientist que a ideia nasceu de uma experiência pessoal: ele sofreu com alergias durante a vida toda, impedindo que ele e sua família tivessem um cachorro. Agora, com a ajuda da edição genética, Walker e sua esposa Maggie realizam o sonho de conviver com um animal de estimação sem desconfortos alérgicos, uma vez que Bailey não provocou reações alérgicas até o momento.
O processo envolveu a extração das células da pele de uma beagle, a edição do gene responsável pelo Can f 1 e a clonagem dessas células para então criar embriões reconstruídos inseridos em uma mãe substituta beagle. O avanço abre portas para futuros cães que podem ser acessíveis para quem sempre quis um amigo de quatro patas, mas foi impedido pelas alergias.
Essas duas frentes científicas, apesar de distintas, ilustram como a manipulação genética e o entendimento molecular podem transformar o futuro da saúde humana. Enquanto o THC pode oferecer uma nova esperança para tratar formas difíceis de câncer, os cães geneticamente modificados podem redefinir a relação entre humanos e seus melhores amigos, eliminando barreiras causadas por alergias.
O que sabemos?
- THC em baixa dose pode reduzir agressividade de células de câncer de mama.
- Experimento usou organoides 3D de tumores humanos e de camundongos.
- Sistema endocanabinoide e seus receptores CB1R e CB2R foram alvo do tratamento.
- Beagles Alfie e Bailey nasceram após edição do gene que produz proteína causadora de alergia Can f 1.
Fontes
- ScienceAlert fonte especializada
- ScienceAlert fonte especializada
- Smithsonian Magazine fonte especializada





