Cientistas tentam desvendar textos antigos através de tecnologia moderna
Reprodução de pergaminhos carbonizados ajuda a ler escritos de cerca de 2.000 anos atrás
Pesquisadores criaram métodos inovadores para identificar textos em pergaminhos históricos queimados, usando tomografia de raios X e inteligência artificial.
Para entender melhor como ler pergaminhos de Herculano queimados há cerca de dois mil anos, uma equipe de cientistas realizou experimentos que podem revolucionar o estudo de manuscritos antigos. Segundo fonte não oficial, investigadores reproduziram em laboratório a queima de papiros com tinta tradicional, similares aos encontrados na antiga cidade italiana, atingida pela erupção do Monte Vesúvio em 79 d.C. Essa ação teve como objetivo descobrir se seria possível identificar textos escondidos sem precisar desenrolar fisicamente os pergaminhos, o que muitas vezes os destrói ou faz virar pó. Para isso, eles usaram uma combinação de técnicas, incluindo tomografia computadorizada de raios X e fluorescência de raios X de baixo custo.
Segundo Douglas Seiler, afiliado do Berkeley SETI e principal responsável pelos testes, a equipe selecionou papiro e canetas de junco enviados do Egito, além de tinta de negro de fumo do Japão, e pediu a estudantes que escrevessem trechos de obras como Star Wars, a Bíblia e a série de ficção científica The Outer Limits. Após a escrita, esses textos fictícios foram carbonoizados em forno de alta temperatura. O interesse era verificar se a tinta que continha chumbo, que absorve até 25 vezes mais raios X do que o papiro carbonizado, poderia ajudar na leitura mesmo após o desastre. O chumbo, portanto, funcionaria como um contraste que tornaria possível detectar a escrita, mesmo que o pergaminho estivesse destruído.
Com a ajuda de um scanner portátil de fluorescência de baixo custo, a equipe conseguiu detectar tinta contendo chumbo em material queimado, o que demonstra potencial para futuras intervenções em manuscritos históricos. Ainda segundo os pesquisadores, a tecnologia poderia acelerar a leitura de pergaminhos preservados em condições difíceis, como os que fazem parte da antiga biblioteca de Herculano, na Itália. Atualmente, esse acervo conta com cerca de 1.800 pergaminhos e fragmentos, guardados na Itália, França e Inglaterra, muitos dos quais ainda não foram totalmente estudados. Algumas dessas peças já tiveram trechos lidos, incluindo textos do filósofo epicurista Filodemo, mas a maioria permanece inexplorada.
Para testar a eficácia da técnica, o físico Jake LaManna adaptou um software desenvolvido inicialmente para desenrolar componentes internos de baterias de íon-lítio, aplicando-o aos pergaminhos carbonizados. O programa consegue criar uma imagem virtual do pergaminho, acompanhando suas irregularidades de espessura, e assim facilitar a leitura digital. Segundo informações não confirmadas oficialmente, esses modelos virtuais poderão evitar processos de destruição física que, historicamente, resultaram em perdas irreparáveis de textos antigos. Ainda não há uma data definida para utilização em larga escala ou para a leitura de pergaminhos originais, uma vez que as pesquisas ainda estão em fase experimental.
Ao que tudo indica, esses avanços tecnológicos representam uma nova esperança para o campo da paleografia, embora ainda aguardem validação e reconhecimento por parte de especialistas. Como os métodos de tentativa e erro até então utilizados mostraram-se bastante destrutivos, a possibilidade de estudar manuscritos de forma mais segura tem potencial de preservar e revelar textos até hoje desconhecidos. A expectativa dos pesquisadores é que, com o aperfeiçoamento da técnica, muitos pergaminhos que hoje representam apenas restos possam ter suas histórias reveladas, enriquecendo nossa compreensão do passado.
O que sabemos?
- Pesquisadores reproduziram a queima de papiros em laboratório para estudar textos antigos.
- Usaram tomografia de raios X para identificar tinta com chumbo que ajuda na leitura.
- A técnica potencialmente permite ler pergaminhos queimados sem desnecessariamente destruí-los.
- Cerca de 1.800 pergaminhos e fragmentos da antiga biblioteca de Herculano ainda não foram totalmente estudados.
Fontes
- Aventuras na História fonte especializada




