Ciência

Cientistas revelam que Tiranossauro rex tinha sangue quente, o que muda nossa compreensão sobre esses dinossauros

Em apuração ?

Estudo revela que o maior predador do período Cretáceo possuía temperatura corporal semelhante à de humanos, desafiando antigas hipóteses

Fóssil de dente de T. rex sendo analisado em laboratório
Imagem: Superinteressante

Uma pesquisa inédita estima que o T. rex tinha uma temperatura corporal de aproximadamente 36 °C, indicando que podia ser endotérmico, ou seja, ter sangue quente.

Um avanço científico recente trouxe uma novidade que pode revolucionar nossa compreensão sobre os gigantes do passado: o Tiranossauro rex, o famoso 'rei dos dinossauros', tinha sangue quente. Segundo uma publicação na revista Science Advances, pesquisadores conseguiram estimar a temperatura corporal desse dinossauro por meio de uma técnica inovadora que analisa a química dos seus dentes fossilizados. A descoberta sugere que o T. rex possuía uma temperatura de aproximadamente 36 °C, semelhante à de humanos, contrariando a antiga ideia de que todos os répteis eram de sangue frio, ou seja, que dependiam da temperatura do ambiente para regular sua temperatura corporal.

Para chegar a esse resultado, os cientistas utilizaram os dentes fósseis do T. rex como verdadeiros 'termômetros' pré-históricos. Dentro do esmalte, que é a camada mais externa do dente, existem diferentes versões dos isótopos do carbono e do oxigênio. A proporção dessas versões reflete a temperatura em que o esmalte foi formado. Ao perfurar e medir essas ligações químicas, os pesquisadores puderam determinar a temperatura em que os dentes se desenvolveram, há cerca de 66 milhões de anos. Segundo a autora do estudo, Aradhna Tripati, essa técnica é “a melhor alternativa a enfiar um termômetro no traseiro de um T. rex, algo que certamente não faremos”.

O estudo foi conduzido ao longo de mais de uma década de aperfeiçoamento de métodos, e até agora foi aplicado a outras espécies extintas, como mamutes-lanosos e megalodontes. A descoberta reforça a teoria de que grandes dinossauros, como o T. rex, poderiam manter uma temperatura corporal relativamente elevada, o que indica um metabolismo mais acelerado e ativo, mesmo em climas mais frios. Essa hipótese já era sugerida por achados indiretos, como pegadas fossilizadas encontradas no Alasca em 2022, que mostraram que o predador habitava regiões onde a maioria dos répteis de sangue frio não conseguiria sobreviver. Assim, a ideia de um T. rex de sangue frio, como muitos répteis contemporâneos, começa a ser descartada.

De acordo com o estudo, o método utilizado analisa ligações químicas no esmalte dos dentes que se formou no período de vida do animal, permitindo aos pesquisadores entenderem sua temperatura corporal de forma indireta, porém confiável. Ainda não há confirmações oficiais de outros especialistas sobre essa técnica, mas o avanço promete abrir novas possibilidades para avaliar a fisiologia de diversos dinossauros, incluindo aqueles que até hoje eram considerados de sangue frio. A expectativa é que, no futuro, essa análise seja expandida para diversos grupos de dinossauros e outros animais extintos, mudando a visão que se tinha sobre a evolução e o metabolismo dessas criaturas de milhões de anos atrás.

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O que sabemos?

  • T. rex tinha temperatura corporal de cerca de 36 °C.
  • A técnica de análise dos dentes permite estimar a temperatura de formação do esmalte.
  • Estudo publicado na revista Science Advances reforça a hipótese de endotermia em T. rex.
  • A descoberta ajuda a compreender melhor o metabolismo e comportamento do predador pré-histórico.

Fontes

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