Música relaxante pode impulsionar escolhas alimentares mais saudáveis, sugere estudo
Pesquisa aponta que ambientes com sons calmos influenciam o que as pessoas colocam no prato
Um estudo recente feito por pesquisadores da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau revela que músicas de baixa excitação, que são mais lentas e suaves, podem favorecer decisões alimentares mais saudáveis. O efeito foi observado tanto em ambientes reais quanto em simulações, indicando que a música de fundo tem potencial para moldar comportamentos durante as refeições.
Segundo uma pesquisa divulgada por uma revista científica, a música ambiente que ouvimos enquanto nos alimentamos pode ter um impacto na escolha dos alimentos. Realizado por cientistas da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, na China, o estudo apontou que músicas mais calmas, de baixa excitação, favorecem a preferência por alimentos considerados mais saudáveis. A investigação foi baseada em quatro experimentos, incluindo um realizado em uma cafeteria universitária da própria cidade de Macau e outros três em ambientes simulados de restaurantes, buscando entender como as características do som externo influenciam nossas decisões alimentares.
De acordo com os pesquisadores, a hipótese parte da chamada teoria da congruência, que sugere que as pessoas tendem a considerar mais apropriadas as escolhas que combinam com o ambiente em que estão inseridas. Assim, um ambiente mais tranquilo, com músicas suaves, poderia fazer com que alimentos associados a uma alimentação mais saudável parecessem mais compatíveis com o momento. Para eles, a música de fundo é uma pista que funciona fora da nossa consciência, podendo ser facilmente manipulada em restaurantes, influenciando desde a percepção até o comportamento do consumidor.
Nos experimentos, a cafeteria universitária alternou, ao longo de oito dias úteis, entre músicas de baixa e alta excitação, previamente avaliadas por outros participantes. Durante esse período, foram vendidas 911 unidades de alimentos. Os dias em que a música relaxante era tocada, aproximadamente 19% das vendas correspondiam a alimentos considerados saudáveis, enquanto nesses dias com músicas mais agitadas, essa proporção caiu para cerca de 14%. Estudos anteriores já sugeriam que sons em volume alto ou de alta intensidade aumentam a excitação, levando a escolhas menos equilibradas, enquanto ambientes mais silenciosos e calmos favorecem escolhas mais nutritivas.
Além da influência nas vendas, os pesquisadores verificaram que a música também afetou a intenção de consumo dos participantes em ambientes controlados. Em uma experiência com um cardápio de almoço saudável, quem ouvia músicas de baixa excitação apresentou uma intenção de consumo média maior, com pontuação de 6,08, contra 5,56 de quem ouviu músicas mais estimulantes. Outro teste usando jazz simulando um restaurante saudável mostrou o mesmo padrão: 6,02 pontos na preferência por alimentos saudáveis na versão mais calma, contra 4,40 na versão de alta excitação. Os resultados reforçam a ideia de que ambientes sonoros mais suaves podem promover uma mentalidade mais favorável às escolhas nutricionalmente melhores, ainda que essa relação precise ser confirmada por mais estudos e outras fontes.
Fontes
- Revista Galileu fonte especializada




