Ciência

Roca marciana com manchas similares às de um leopardo desperta esperança de vida extraterrestre

Em apuração ?

A amostra do planeta vermelho pode conter pistas sobre vida antiga, mas ainda há dúvidas e obstáculos para sua análise definitiva

Imagem do solo marciano com o céu ao fundo, capturada pelo rover Perseverance
Imagem: CNN Brasil

A NASA coleta uma rocha em Marte que pode evidenciar sinais de vida passada. Ainda não se sabe se o material chegará à Terra, e o programa de retorno de amostras enfrenta reavaliações.

Uma descoberta intrigante em Marte colocou cientistas de olho na possibilidade de encontrar evidências de vida além da Terra. Segundo informações ainda não oficialmente confirmadas, uma rocha coletada pelo rover Perseverance, chamado Sapphire Canyon, apresenta manchas que poderiam ser sinais de uma bioassinatura — uma marca que, se confirmada, indicaria que processos biológicos existiram no passado do planeta vermelho.

Segundo a equipe da NASA, o rover coletou a amostra de uma rocha localizada nas bordas do Neretva Vallis, um vale que, há mais de 3 bilhões de anos, foi escavado por rios que desaguavam em um antigo lago na Cratera Jezero. O objetivo do Perseverance, que pousou em fevereiro de 2021 no leito seco desse antigo corpo d'água, é justamente buscar rochas que tenham sido alteradas ou formadas na presença de água, capazes de preservar sinais de possíveis formas de vida microbiana.

De acordo com Adrian Broz, membro da equipe científica do rover e pesquisador da Universidade Purdue, a amostra, do tamanho de um bastão de giz, representa exatamente o tipo de material que os cientistas esperavam encontrar. “Acho que esta é a primeira vez que encontramos algo que se qualifica como uma 'bioassinatura potencial' em Marte”, afirmou Broz, que destacou que a amostra está atualmente selada e aguardando o retorno à Terra, onde análises mais detalhadas poderão ser feitas.

Porém, o programa de retorno de amostras de Marte, uma iniciativa conjunta da NASA e da Agência Espacial Europeia (ESA), enfrenta impasses. Após bilhões de dólares investidos na missão, a NASA anunciou, em 2024, que suspenderia e reavaliaria o projeto, chegando a cancelar a tentativa de trazer as amostras para nossa planeta. Ainda não há uma alternativa concreta para essa operação, embora a agência tenha mencionado possibilidades de parcerias comerciais ou internacionais para realizar o procedimento de forma mais simples e acessível.

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Segundo a NASA, as amostras do Perseverance permanecem seguras em Marte, mas que a ausência de uma tecnologia capaz de trazê-las rapidamente impede que essa etapa seja concluída. Cientistas apontam que, apesar do avanço na descoberta, a verdadeira resposta sobre a existência de vida microbiana antiga no planeta vermelho ainda depende de análises laboratoriais que só podem ser feitas na Terra. Como explicou a professora de ciências da Terra na Universidade Purdue, Dra. Briony Horgan, essa limitação se deve ao fato de que o veículo, avaliado em 2,4 bilhões de dólares, não possui instrumentos suficientemente complexos para responder a todas as perguntas sobre a origem dessas rochas e suas possíveis bioassinaturas.

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O que sabemos?

  • A rocha Sapphire Canyon foi coletada pelo rover Perseverance em Marte.
  • A amostra apresenta manchas que podem indicar uma bioassinatura.
  • A tentativa de trazer as amostras de Marte para a Terra foi suspensa e está sendo reavaliada pela NASA.
  • Ainda não há confirmação oficial se a amostra comprovará a existência de vida passada em Marte.

Fontes

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