Fóssil jurássico pode revelar o primeiro mamífero a mamar há 165 milhões de anos
Estudo aponta que espécie ancestral tinha estruturas similares às dos mamíferos atuais
Uma nova análise de fósseis encontrados na China sugere que um animal do período jurássico pode ser o mais antigo exemplo de criatura capaz de mamar. A descoberta amplia o entendimento sobre a evolução dos mamíferos, que passaram por adaptações anatômicas complexas há milhões de anos.
Segundo uma pesquisa publicada recentemente na revista Nature, um animal jurássico que viveu cerca de 165 milhões de anos atrás pode representar o exemplo mais antigo de um ancestral dos mamíferos capazes de mamar. Chamado Megacauda sungei, esse espécime foi encontrado na região autônoma da Mongólia Interior, na China, em fósseis descobertos em 2015. A análise detalhada dos ossos, feita com tecnologia de fluorescência de raio-X, revelou traços que indicam adaptações à vida aquática e, possivelmente, à amamentação.
O fóssil apresenta características que sugerem um estilo de vida semi-aquático, como patas traseiras semelhantes às de um ornitorrinco, uma cauda comprida e achatada, além de dentes capazes de rasgar carne, indicando uma dieta provavelmente baseada em presas aquáticas. Ainda de acordo com o estudo, ocorrências de vértebras preservadas no estômago apontam que a criatura se alimentava de pequenos animais aquáticos, reforçando sua adaptação ao ambiente de água doce. Esses detalhes indicam que Megacauda provavelmente caçava e nadava, além de ter uma rotina de alimentação compatível com animais que produziam leite para seus filhotes.
Um aspecto considerado inovador pelos pesquisadores foi a presença de um osso hióide, uma estrutura que sustenta os músculos da garganta em mamíferos modernos, essenciais para engolir alimentos sólidos e leite de forma segura. Essa descoberta reforça a hipótese de que o animal possuía uma capacidade de amamentar semelhante à dos mamíferos atuais, embora ainda não haja confirmação se ele realmente mamava ou apenas possuía os primeiros traços evolutivos dessa habilidade. Segundo os autores do estudo, essas estruturas ósseas e o tamanho do animal, que media entre 40 e 50 centímetros e pesava até dois quilos, revelam um parentesco distante dos mamíferos extintos, como os docodontes, pertencentes à era Mesozóica.
O estudo destacou a importância dessas descobertas para entender o momento em que os ancestrais dos mamíferos adquiriram a capacidade de mamar, uma característica que distingue esse grupo dos demais animais. Ainda que o registro seja considerado o mais antigo, a ciência aguarda confirmações adicionais e análises mais aprofundadas para estabelecer se essa espécie realmente foi o primeiro mamífero a produzir leite ou se está perto disso na linha evolutiva. A equipe de pesquisadores ressaltou que, apesar de todos os indícios, ainda não há uma confirmação definitiva e que novas evidências podem surgir a qualquer momento.
O que sabemos?
- Fóssil de 165 milhões de anos pode ser o mais antigo ancestral dos mamíferos que mamavam
Fontes
- Superinteressante fonte especializada





