Ciência

Pesquisa de universidade de Sorocaba aponta necessidade de maior aprofundamento na educação antirracista nas escolas

Em apuração ?

Estudo destaca a importância de desconstruir estereótipos e ampliar o reconhecimento de culturas negras e indígenas na educação pública brasileira

Professora apresentando resultados de estudo sobre educação antirracista
Imagem: G1

Uma professora de Sorocaba realiza estudo que sugere que a educação antirracista deve ir além de datas comemorativas e promover uma descolonização curricular. A investigação aponta que práticas tradicionais ainda reforçam estereótipos e que é preciso valorizar autores negros e povos indígenas de maneira mais significativa.

Uma pesquisa conduzida pela professora Adilene Cavalheiro, de Sorocaba, aponta que a implementação efetiva de uma educação antirracista nas escolas brasileiras vai muito além de incluir datas comemorativas específicas no currículo. Segundo a pesquisadora, é fundamental promover a descolonização e a desfolclorização dos conteúdos escolares, para que culturas negra e indígena possam ser reconhecidas de verdade e não reduzidas a estereótipos ou elementos superficiais.

Durante a 17ª Reunião Regional da Anped Sudeste, a professora apresentou resultados parciais do estudo, realizado na rede municipal de ensino de Sorocaba, vinculada à Universidade Federal de São Carlos. A pesquisa foi baseada em questionários semiestruturados, narrativas autobiográficas e grupos reflexivos, estratégias que permitiram uma discussão coletiva com professores sobre a aplicação dos conhecimentos culturais em sala de aula.

Segundo Adilene, embora haja avanços legislativos na área, ainda há um longo caminho a percorrer na prática escolar. Ela questiona: "Basta que esses conhecimentos estejam presentes no currículo? Como eles estão presentes? Que espaço eles ocupam? Quem é reconhecido como produtor de conhecimento na escola?". A educadora reforça que o problema não é a presença de elementos culturais, mas a forma reducionista como muitas vezes são apresentados, reforçando estereótipos ao invés de promover uma compreensão aprofundada das culturas de povos negros e indígenas.

Outro ponto importante destacado na pesquisa é a distinção feita entre folclore – festas, músicas, danças e tradições que constituem a cultura de um povo – e a folclorização, que é a precarização dessa cultura ao reduzir toda sua complexidade a imagens e curiosidades. "Quando falamos em desfolclorizar o currículo, não estamos propondo tirar o folclore da escola, mas superar relações que simplificam e estereotipam essas culturas, buscando condições para que possam ser reconhecidas, circularem e adquirirem legitimidade na sala de aula", explicou Adilene.

Além disso, a pesquisa aponta que a presença de autores negros ou indígenas no currículo não garante mudanças na hierarquia do conhecimento dentro das escolas. Ainda não há consenso se a inclusão de certos conteúdos é suficiente para transformar as práticas pedagógicas e o reconhecimento dessas culturas. Ainda assim, a investigadora defende que é necessário ampliar a reflexão, questionar as escolhas curriculares tradicionais e promover um olhar mais crítico e igualitário sobre o que se ensina na educação pública.

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O que sabemos?

  • A pesquisa foi conduzida por uma professora de Sorocaba em estudo de doutorado.
  • O foco é promover uma descolonização e desfolclorização dos currículos escolares.
  • O estudo foi apresentado na 17ª Reunião Regional da Anped Sudeste.
  • A investigação questiona como culturas negra e indígena são aplicadas nas escolas.
  • A distinção entre folclore e folclorização é central na análise.

Fontes

  • G1 imprensa
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