Ciência

Estudo sugere possível relação entre remoção do apêndice e risco de câncer colorretal

Em apuração ?

Pesquisadores analisaram dados de pacientes que passaram por apendicectomia e descobriram uma possível redução na incidência de câncer do intestino, mas a relação ainda não é conclusiva.

Ilustração de um apêndice e intestino, representando o estudo sobre câncer colorretal
Imagem: CNN Brasil

De acordo com um estudo apresentado nos EUA, pacientes que tiveram apêndice removido devido à apendicite apresentam risco menor de desenvolver câncer colorretal. Embora o achado seja promissor, especialistas ressaltam que ainda é cedo para recomendações.

Uma pesquisa recente, apresentada no final de setembro durante o congresso do American College of Surgeons (ACS), em Washington, chamou atenção pelo possível impacto da retirada do apêndice na prevenção do câncer colorretal. Segundo a análise, pacientes que passaram por apendicectomia devido a uma crise de apendicite aguda tiveram uma incidência menor de câncer nesse tipo do que aqueles tratados apenas com antibióticos. A investigação, conduzida pelo Departamento de Cirurgia da Morehouse School of Medicine, nos Estados Unidos, utilizou dados de uma rede global de pesquisa que reúne informações de mais de 30 mil pacientes.

Segundo a fonte, os participantes foram divididos em dois grupos: um formado por 15.616 pacientes que tiveram a cirurgia de remoção do apêndice e outro com 15.295 pacientes que foram tratados exclusivamente com medicamentos, sem cirurgia. Os resultados indicaram que 0,7% dos pacientes do grupo cirúrgico receberam o diagnóstico de câncer colorretal, enquanto esse número foi de 1,7% no grupo que não passou pela cirurgia, o que aponta um risco 58% menor de desenvolver a doença naqueles que tiveram o apêndice retirado.

Apesar do dado parecer promissor, especialistas alertam para a cautela na interpretação. Segundo o coloproctologista Danilo Munhóz, essa associação não significa, necessariamente, que a remoção do apêndice causa a redução do câncer. Ainda de acordo com o profissional, o estudo não conseguiu estabelecer uma relação de causa e efeito, pois os participantes já tinham passado pelo tratamento. Ele explica que a inflamação no apêndice pode ser um primeiro sintoma de um câncer de intestino que já existia, porém ainda não foi diagnosticado, especialmente em idosos. Munhóz acrescenta que um tumor localizado próximo ao apêndice pode dificultar sua drenagem e gerar inflamação, o que não implica que a apendicite tenha causado o câncer, mas que, na verdade, o tumor possa estar por trás da inflamação.

Outra vantagem apontada pelos pesquisadores é o fato de que a cirurgia permite a análise do tecido do apêndice em laboratório. Assim, durante o procedimento, o órgão removido é examinado para detectar alterações celulares ou teciduais que poderiam passar despercebidas com o tratamento apenas com medicamentos. Ainda assim, o estudo aponta que há investigações em andamento para entender como fatores como inflamação e a microbiota intestinal influenciariam o desenvolvimento do câncer colorretal, mas não há respostas definitivas até o momento.

Segundo a fonte, a simples ocorrência de apendicite deve ser vista como um alerta para investigações adicionais, e as estratégias de prevenção do câncer de intestino continuam sendo aquelas já comprovadas pela ciência. No momento, não há recomendações clínicas para a retirada do apêndice como forma de prevenir a doença, e qualquer decisão cirúrgica deve continuar sendo feita com base na necessidade médica específica. Ainda assim, a descoberta abre um campo interessante de estudos para entender melhor as possíveis conexões entre inflamação, microbiota e câncer, que podem trazer novas possibilidades de diagnóstico e tratamento no futuro.

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O que sabemos?

  • Paciente que passou por apendicectomia apresentou menor incidência de câncer colorretal.
  • Estudo analisou mais de 30 mil pacientes com apendicite aguda.
  • Resultado sugere risco 58% menor de câncer em pacientes operados.
  • Pesquisa ainda não confirmou causa entre remoção do apêndice e redução do câncer.

Fontes

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