Ciência

Estudo sugere que antigo palácio na Etiópia poderia suportar até 19 andares

Em apuração ?

Pesquisas revelam avanços na compreensão da construção de uma estrutura de 2,8 mil anos atrás

Reconstrução virtual do palácio Grat Be'al Gibri na Etiópia mostrando suas possíveis alturas
Imagem: Revista Galileu

Um antigo palácio na Etiópia, construído há quase três milênios, pode ter suportado uma altura equivalente a aproximadamente 19 andares, segundo análise de engenheiros e arqueólogos. O edifício, conhecido como Grat Be'al Gibri, foi examinado usando modernas técnicas de simulação estrutural, que indicaram uma capacidade surpreendente de sustentação.

Segundo uma análise divulgada nesta quarta-feira por pesquisadores envolvendo um engenheiro e um arqueólogo, uma antiga estrutura na Etiópia, construída por volta de 800 a.C., poderia ter suportado uma altura próxima a 19 andares, embora não haja confirmação de que ela tenha atingido esse nível. O edifício, conhecido como Grat Be'al Gibri, fica no sítio arqueológico de Yeha, no norte do país, e apesar de grande parte da estrutura ter sido destruída por um incêndio na antiguidade, estudos recentes tentaram determinar seu potencial de suportar múltiplos pavimentos.

De acordo com o que foi divulgado pelos pesquisadores, a estrutura tinha uma planta de aproximadamente 60 metros por 60 metros, e as paredes eram feitas de pedras irregulares unidas por argamassa — uma mistura que preenchia os espaços entre as rochas. Para reforçar a construção, vigas de madeira eram implantadas horizontalmente dentro das paredes, numa técnica conhecida como alvenaria reforçada com madeira, uma estratégia utilizada também em outras regiões do norte da África e do Oriente Médio na mesma época. Essa combinação de materiais permitia construir edifícios de vários andares, mesmo sem o uso de materiais modernos como concreto armado ou aço, o que chamou atenção dos estudiosos.

Para descobrir até onde aquela construção antiga poderia chegar, os pesquisadores criaram modelos virtuais em três dimensões, usando métodos de engenharia que dividem a estrutura em pequenas partes analisáveis. Essa técnica, chamada de método dos elementos finitos, permite calcular a resistência de uma estrutura sob diferentes condições de peso e força, mesmo considerando a incerteza sobre as propriedades exatas dos materiais utilizados há quase 3 mil anos. Os modelos aplicaram variações nas características da madeira, que pouco alteraram os resultados, chegando à conclusão de que, sob condições favoráveis, a estrutura poderia sustentar ao menos 19 andares, enquanto numa simulação mais conservadora, suportaria cerca de 16. Ainda assim, os autores alertam que esses números representam limites teóricos, e não uma certeza de que a construção realmente chegou a isso.]

Segundo o arqueólogo envolvido na pesquisa, o resultado veio através de análises detalhadas e modernas, que oferecem uma nova perspectiva sobre as habilidades dos construtores antigos. Ainda não há confirmação de que o palácio realmente tenha atingido tamanha altura, mas a pesquisa reforça a ideia de que as técnicas utilizadas na antiguidade eram bastante avançadas para seu tempo.

O estudo ainda não foi oficialmente confirmado por outras fontes acadêmicas, e o próprio site que divulgou a análise, a revista Galileu, deixou claro que os dados são preliminares e aguardam confirmação. Apesar disso, a pesquisa reforça o interesse em entender como civilizações antigas conseguiam erguer construções tão sólidas e altas, e traz uma comparação interessante com as técnicas de engenharia modernas, que buscam reduzir o uso de materiais como concreto e aço para diminuir impacto ambiental, além de ampliar os limites da arquitetura sustentável.

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O que sabemos?

  • A estrutura tem cerca de 2,8 mil anos de idade.
  • Foi construída na região de Yeha, na Etiópia.
  • A planta do edifício mede aproximadamente 60m x 60m.
  • Simulações indicam que ela poderia suportar até 19 andares.
  • O estudo utilizou modelos virtuais e método dos elementos finitos.

Fontes

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