Ciência

Astrônomos descobrem anãs brancas com cores surpreendentes no universo

Em apuração ?

Estudo revela estrelas remanescentes com tonalidades pouco convencionais devido à composição química de suas atmosferas

Ilustração de uma anã branca com tonalidade verde e outra rosa-salmão no espaço
Imagem: Olhar Digital

Pesquisadores identificaram anãs brancas com cores variadas, incluindo uma estrela que parece verde e outra com brilho rosa-salmão, desafiando conceito tradicional de estrelas brancas.

Uma equipe internacional de astrônomos liderada por Mark Hollands, da Universidade de Warwick, no Reino Unido, revelou uma descoberta intrigante: algumas anãs brancas, que são o resíduo de estrelas que esgotaram seu combustível, apresentam cores surpreendentemente diferentes do branco azulado tradicionalmente associado a elas. Segundo Hollands, a composição química dessas estrelas desempenha um papel fundamental na tonalidade que elas exibem, além da temperatura.

Normalmente, a cor de uma estrela está relacionada à sua temperatura. Estrelas mais frias tendem ao laranja, enquanto as mais quentes, como as do tipo Solar, parecem brancas ou levemente azuis. Contudo, nas anãs brancas, elementos como carbono, cálcio e sódio podem alterar a luz que elas emitem, absorvendo diferentes faixas do espectro luminoso. Um exemplo dessa diversidade foi a estrela WD J1330+6435, que vem acumulando material rochoso de um corpo planetário próximo, processo conhecido como acreção. Essa estrela apresenta uma alta concentração de cálcio, lítio e sódio, sendo que este último é responsável pela coloração incomum, ao absorver a luz alaranjada do espectro, deixando a estrela com um brilho verde que lembra uma cena de ficção científica.

Outra anã branca com tonalidade diferente é a WD J1011+2845, localizada a cerca de 48 anos-luz da Terra. Ela exibe um brilho rosa-salmão, vinculado a uma zona profunda de convecção que transporta carbono de seu interior até as camadas mais externas. As moléculas de carbono alteram a luz que ela emite, criando essa coloração incomum. Ainda assim, esses exemplos representam uma minoria do total de anãs brancas estudadas.

De acordo com os dados analisados pelos pesquisadores, entre 151 anãs brancas a aproximadamente 65 anos-luz da Terra, apenas cinco apresentaram cores extraordinárias. Além disso, estimam que uma em cada 30 dessas estrelas possa possuir colorações incomuns, o que, considerando a quantidade total de anãs brancas no universo, indica que há muitas estrelas de cores peculiares aguardando serem descobertas. Boris Gänsicke, outro membro da equipe, reforça essa ideia: “Uma em cada 30 pode não parecer uma proporção grande, mas, para toda a população de anãs brancas do universo, ainda representa um número considerável de estrelas de cores diferentes”.

Essas descobertas mostram que a composição química dessas estrelas pode influenciar sua aparência de maneiras que antes não eram previstas, indo além da simples relação entre temperatura e cor. Apesar de ainda não terem sido confirmadas oficialmente por outras fontes, as informações levantadas por Hollands e sua equipe abrem novas possibilidades para compreender melhor a evolução estelar e a diversidade no universo. A pesquisa, que ainda aguarda validação oficial, revela que o cosmos continua cheio de mistérios e que nossas estrelas podem ser mais variadas do que imaginávamos.

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O que sabemos?

  • Anãs brancas podem apresentar cores variadas devido à composição química de suas atmosferas.
  • Estrela WD J1330+6435 exibe coloração verde devido ao sódio na atmosfera.
  • Estrela WD J1011+2845 tem brilho rosa-salmão por causa do transporte de carbono.
  • Cerca de uma em cada 30 anãs brancas pode ter cores incomuns.

Fontes

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