Ciência

Estudo aponta que o recuo da geleira Thwaites pode elevar o nível do mar em até 3 cm até 2100

Em apuração ?

Pesquisa revela que mudanças na região da Antártida podem acelerar a elevação do oceano ao longo do século

Estudo aponta que o recuo da geleira Thwaites pode elevar o nível do mar em até 3 cm até 2100
Imagem: CNN Brasil

Um novo estudo publicado na revista Nature Communications sugere que o recuo da geleira Thwaites, na Antártida, pode contribuir com cerca de 3 centímetros para a elevação média global do nível do mar até o ano de 2100. A projeção é o dobro do estimado anteriormente, levando em conta avanços nas simulações científicas.

Um estudo recente, divulgado na última segunda-feira (12) na revista científica Nature Communications, traz uma novidade importante sobre o recuo da conhecida como "Geleira do Juízo Final" na Antártida. Segundo os pesquisadores responsáveis pela pesquisa, o recuo dessa enorme massa de gelo poderia elevar o nível do mar em até cerca de 3 centímetros até o fim deste século, um valor aproximadamente duas vezes maior do que as projeções anteriores feitas por outros estudos. A análise destaca que a forma como os modelos simulam a região de contato entre o gelo e o oceano é crucial para chegar a essas conclusões. A área de transição, chamada de zona de aterramento, é onde o gelo se conecta ao leito marinho e passa a flutuar, sendo uma peça chave para entender a dinâmica do recuo da geleira.

De acordo com os autores do estudo, a superfície de contato entre o gelo e a água do oceano, que na análise foi considerada com cerca de 5 quilômetros de extensão, pode influenciar de forma significativa o ritmo de recuo da geleira. Caso essa zona de aterramento seja mais ampla, a contribuição da Thwaites ao aumento do nível do mar pode chegar a 30,1 milímetros (ou 3 centímetros) até 2100, com uma margem de incerteza de 5,7 milímetros. Para chegar a essa conclusão, os cientistas desenvolveram simulações que foram calibradas com dados de satélite, observando a velocidade de movimento do gelo, a redução de sua espessura e a posição da zona de aterramento entre 1996 e 2023.

Uma das novidades do estudo está na maneira como ele modela a região de transição entre gelo apoiado no leito marinho e a plataforma de gelo flutuante. Os modelos mais precisos consideraram a possibilidade de o gelo perder contato com as elevações que estabilizam sua posição no leito marinho. Quando a extensão da zona de aterramento foi avaliada em simulações, observou-se que, com uma faixa de aproximadamente 5 a 6 quilômetros, o desprendimento da elevação chamada Mouginot Ridge poderia ocorrer já a partir de 2038. Essa mudança poderia levar a um novo recuo rumo a outra elevação submarina, conhecida como South Ridge, podendo acelerar ainda mais o derretimento. É importante frisar que esses resultados, embora baseados em simulações, ainda não sejam confirmados oficialmente e dependem das condições físicas representadas nos modelos.

O estudo também aponta que a contribuição da Thwaites para a elevação do nível do mar varia conforme a extensão considerada da zona de aterramento. Em uma simulação que não considerou essa região, o impacto estimado foi de apenas 8,3 milímetros até 2100. Quando essa extensão foi aumentada para aproximadamente 1 quilômetro, o valor passou para 14,3 milímetros; em um cenário de 3 quilômetros, a projeção subiu para 19,4 milímetros. A extensão de 5 quilômetros, considerada compatível com algumas observações recentes, elevou a estimativa para cerca de 30 milímetros, ou 3 centímetros. Ainda que esses números sejam robustos, os autores ressaltam que muitos processos ainda não estão completamente incorporados nas simulações, o que reforça a incerteza nas projeções finais.

Publicidade

Fontes

Publicidade