Ciência

Novo fóssil equaciona origem das asas e do voo entre dinossauros e aves

Em apuração ?

Descoberta de espécie com quatro asas na China desafia entendimento sobre evolução do voo

Fóssil de dinossauro com penas nas quatro extremidades e cauda longa, descoberto na China
Imagem: CNN Brasil

Um fóssil em excelente estado de preservação encontrado na China levanta questões sobre o desenvolvimento de estruturas relacionadas ao voo entre microraptoríneos e aves, revelando diferenças na sequência evolutiva.

Segundo fontes científicas, um novo fóssil de dinossauro, batizado de Norellraptor barsboldi, foi descoberto na Formação Jiufotang, na província de Liaoning, no nordeste da China. O exemplar, com aproximadamente 57 centímetros de comprimento, apresenta quatro conjuntos de membros cobertos por penas e uma longa cauda plumada, características que o colocam na mesma linhagem dos microraptoríneos, um grupo de pequenos dinossauros do Cretáceo Inferior. Os pesquisadores que analisaram o fóssil, publicados na revista Nature Communications, destacam que ele contribui para o debate sobre a origem das estruturas relacionadas ao voo, pois mostra que essas características podem ter evoluído de maneira independente tanto entre os microraptoríneos quanto entre as aves modernas. Além do esqueleto quase completo, vestígios de penas foram identificados nas patas dianteiras, traseiras e na ponta da cauda, reforçando a noção de que esses animais possuíam adaptações capazes de possibilitar o voo ou pelo menos a movimentação aérea. Ainda não se sabe se o Norellraptor tinha essa capacidade de voar, mas a presença de penas longas nos quatro membros aponta para uma possível relação com a locomoção aérea. Os cientistas compararam sua anatomia com a de outros microraptoríneos e também com aves atuais, constatando que, ao longo da evolução desse grupo, ocorreram 194 mudanças anatômicas. Interessantemente, aproximadamente 30% dessas alterações também apareceram na linhagem que deu origem às aves. Entre as diferenças, destacam-se que as transformações não ocorreram na mesma ordem, o que enfraça a hipótese de uma origem comum direta dessas estruturas para ambos os grupos. Segundo os autores do estudo, essa divergência indica que microraptoríneos e aves podem ter seguido processos evolutivos distintos, sujeitos a diferentes pressões seletivas. Além disso, a análise microscópica de um osso do antebraço, especificamente o rádio esquerdo, permitiu estimar a idade do animal na época da morte, que seria de pelo menos três anos. Comparações com outros ejemplares sugerem que Norellraptor podia ser uma fase adolescente dentro da sua espécie. Ainda esta manhã, a equipe de pesquisa não confirmou oficialmente se o fóssil indica que o animal praticava voo, reforçando que as hipóteses continuam em discussão na comunidade científica.
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O que sabemos?

  • O fóssil foi encontrado na China na Formação Jiufotang.
  • O exemplar tinha cerca de 57 cm de comprimento.
  • Ele apresenta penas nos quatro membros e na cauda.
  • Estudos indicam que as estruturas relacionadas ao voo podem ter evoluído de modo independente para microraptoríneos e aves.
  • A idade estimada do animal é de pelo menos três anos.

Fontes

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