Pena de ave fossilizada encontrada em fezes de dinossauro pode esclarecer sobrevivência das aves na extinção dos dinossauros
Descoberta inédita revela detalhes sobre a origem das aves que escaparam da extinção em meio aos dinossauros
Uma pena de ave preservada em fossil, encontrada nas fezes de um dinossauro na Formação Hell Creek, nos EUA, traz novas pistas sobre como algumas espécies de aves sobreviveram ao evento de extinção em massa. Estudos indicam que a estrutura da pena é semelhante à das penas modernas, reforçando a teoria de que aves se adaptaram para escapar do fim dos dinossauros.
Um novo fóssil descoberto na Formação Hell Creek, em Montana, nos Estados Unidos, está fazendo os cientistas repensarem como algumas aves conseguiram sobreviver à extinção dos dinossauros, há cerca de 66 milhões de anos. Segundo informações divulgadas por uma fonte não oficial, uma pena de ave extremamente bem preservada foi encontrada dentro de um pedaço fossilizado de fezes de um dinossauro, possivelmente um Tyrannosaurus rex ou um Nanotyrannus, na década passada, ainda não oficialmente confirmada por outras fontes.
A descoberta ocorreu quando um pesquisador, em 2016, recolheu uma amostra de fezes fossilizadas na região, conhecida por ser um celeiro de fósseis. A peça se quebrou ao ser manuseada, revelando ao lado fragmentos de ossos de ave, escamas de peixe e uma pena minúscula, que se manteve preservada praticamente intacta. Segundo a paleontóloga responsável pela análise, Jingmai O’Connor, do Museu Field de História Natural em Chicago, “quando encontraram esse espécime, sabiam que era importante”. A pena, além de estar preservada de forma rara, foi objeto de estudos aprofundados com o uso de microtomografia computadorizada, que revelou sua estrutura detalhada em três dimensões.
De acordo com a pesquisa publicada na revista Current Biology, a haste da pena possui um formato oco, de tubo quadrado, preenchido por um material espumoso que a mantém leve e firme, características similares às penas modernas. A partir dessas análises, os cientistas perceberam que sua estrutura era bastante semelhante às penas que conhecemos hoje, o que reforça a hipótese de que aves pré-históricas já apresentavam adaptações que as ajudaram a sobreviver ao evento de extinção em massa que eliminou 75% das espécies na época.
Outro detalhe interessante é que, ao redor da pena, os pesquisadores encontraram ossos robustos de coxa e escamas de peixe, indicando que a ave provavelmente tinha um estilo de vida aquático ou semi-aquático, e que fazia parte da cadeia alimentar daquele período. “Essa cápsula do tempo das interações entre espécies é simplesmente fascinante”, comentou Scott V. Edwards, biólogo evolucionista da Universidade Harvard, que não participou do estudo. Ainda não há confirmação quanto à espécie exata à qual a pena pertencia ou sua relação com aves modernas, e o clube de pesquisa aguarda novas análises para esclarecer esses pontos.
Embora as descobertas sejam empolgantes, ainda há dúvidas quanto à origem da pena e sua conexão com espécies atuais. Segundo a equipe de estudo, os fragmentos de fezes continham material digerido muito fragmentado, dificultando a identificação conclusiva da espécie. Assim, ainda não há consenso oficial, e o estudo aguarda confirmação adicional por outras fontes especializadas. De qualquer forma, a descoberta reforça o papel das aves na história evolutiva, ajudando a entender por que elas foram as únicas dinossauros a sobreviver ao apocalipse que eliminou seus parentes terrestres há milhões de anos.
O que sabemos?
- A pena foi encontrada dentro de fezes fossilizadas de um dinossauro na Formação Hell Creek, Montana.
- A estrutura da pena é semelhante às penas modernas, com uma haste oca e ramificações de queratina.
- A descoberta foi feita em 2016, mas só recentemente divulgada em estudo na revista Current Biology.
- Os restos indicam que a ave pode ter tido um estilo de vida aquático ou semi-aquático.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa





