Cientistas tentam salvar filhote de arara-vermelha que foi retirado do ninho na Amazônia peruana
Resgate busca usar aves selvagens como pais adotivos de filhotes rejeitados por seus próprios pais
Em novembro de 2018, uma jovem araracanga ficou à beira da morte após ser retirada do ninho na Reserva Nacional Tambopata. Cientistas estudam métodos inovadores para ajudá-la e outras aves da espécie.
Na manhã de domingo de novembro de 2018, na Reserva Nacional Tambopata, localizada na região amazônica do Peru, um filhote recém-saído do ovo foi encontrado em condições críticas. Segundo relatos da cientista peruana Gabriela Vigo-Trauco, responsável pelo monitoramento dos aracari e araracangas na área, o filhote, que tinha pouco mais que um dedo médio, foi retirado do ninho por uma equipe de pesquisa antes de abrir os olhos. Ainda sem penas e abaixo do peso, ele foi batizado de Parker, e sua situação reforça a preocupação com a conservação da espécie.
Segundo Vigo-Trauco, que estuda essas aves há mais de duas décadas, as araracangas têm uma estratégia brutal de cuidado com seus filhotes: os pais geralmente deixam os mais jovens morrerem de fome. Ela explica que, na maioria dos casos, apenas um ou dois filhotes de uma ninhada de até quatro ovos conseguem sobreviver até o voo, e quase todos os terceiroses quartos filhotes deixam de prosperar. Essa conduta não é novidade, mas, na atual situação de declínio da população da espécie, agravada pela caça ilegal e degradação do habitat, os cientistas consideram essa prática um entrave para a recuperação da araracanga.
O objetivo do projeto em que Vigo-Trauco trabalha, divulgado pela BBC News Brasil, é de tentar uma abordagem inovadora para salvar os filhotes rejeitados: recrutando araracangas selvagens para serem pais adotivos. A cientista conta que, após convencer os pássaros a aceitarem os filhotes abandonados, espera-se que eles possam atuar como uma tábua de salvação, ajudando a reabilitar a população da espécie na região. Esta estratégia ainda não foi confirmada oficialmente por outras fontes, e o clube de pesquisa não se pronunciou sobre os resultados concretos dessa iniciativa até o momento.
Fisicamente, as araracangas, com sua plumagem carmesim, são facilmente identificadas na floresta, seus gritos também são bastante audíveis. Cada fêmea pode colocar até quatro ovos por estação, mas a lógica de sobrevivência costuma limitar o número de filhotes voando do ninho. Vigo-Trauco explica que a negligência dos pais, especialmente a mãe, ocorre por dificuldades em cuidar de filhotes em diferentes fases de desenvolvimento, já que diferentes ovos eclodem com poucos dias de diferença, exigindo regimes alimentares e temperaturas variados. Assim, os pais se veem obrigados a fazer escolhas difíceis, muitas vezes deixando os mais frágeis para trás, uma prática que, embora comum na região amazônica, é extremamente prejudicial para a espécie em áreas de conservação intensiva.
Até o momento, essa tentativa de manipulação no processo natural ainda não foi oficialmente avaliada pelo público ou por outras organizações, e resta a expectativa para os desdobramentos dessa iniciativa. O que se sabe é que, apesar de todo o esforço de conservação, as araracangas continuam enfrentando uma série de ameaças, incluindo a caça ilegal e o desmatamento, que colocaram uma de suas subespécies à beira da extinção no México e na América Central. O caso do filhote Parker simboliza os desafios de se manter a biodiversidade na Amazônia e reforça a importância de estratégias inovadoras para proteger espécies vulneráveis na natureza.
O que sabemos?
- Em novembro de 2018, foi retirado um filhote de arara-vermelha de um ninho na Amazônia peruana.
- O filhote, chamado Parker, era muito frágil e ainda sem penas.
- Pesquisadores estudam a possibilidade de usar aves selvagens como pais adotivos.
- A estratégia visa ajudar filhotes rejeitados a sobreviverem e fortalecer a espécie.
- Ainda não há confirmação oficial dos resultados dessa abordagem.
Fontes
- BBC News Brasil imprensa




