Ciência

Estudo revela ondas cerebrais que podem indicar risco de Alzheimer em adultos mais velhos

Em apuração ?

Pesquisadores analisaram a relação entre atividades elétricas do cérebro e possível desenvolvimento da doença, abrindo caminho para diagnósticos precoces

Ilustração de cérebro humano com ondas cerebrais em movimento
Imagem: G1

Pesquisa conduzida em Paris aponta que ondas cerebrais registradas por eletroencefalograma podem ajudar a prever risco de Alzheimer em idosos que ainda não apresentavam sinais evidentes da doença.

Uma equipe de neurocientistas do Instituto do Cérebro do Hospital Pitié-Salpêtrière, em Paris, revelou que determinadas ondas cerebrais registradas por meio de eletroencefalograma (EEG) podem estar relacionadas ao risco de desenvolver Alzheimer futuramente. Segundo a fonte única, ainda não confirmada oficialmente por outras instituições, as ondas que se assemelham às que ocorrem durante o sono profundo, conhecidas como ondas lentas, também aparecem em estados de vigília, especialmente após esforço cognitivo ou durante momentos de privação de sono. A descoberta levanta a possibilidade de usar esses sinais como um fator preditivo para a doença, facilitando diagnósticos precoces e intervenções que retardem o avanço da demência.

Segundo os pesquisadores, as ondas lentas tendem a aumentar após tarefas que exigem concentração elevada ou quando há lapsos de atenção. Além disso, essas ondas aparecem com maior frequência em indivíduos privados de sono. Pierre Champetier, um dos autores do estudo e pesquisador no instituto parisiense, explicou que neurônios de diferentes regiões cerebrais parecem sincronizar sua atividade de forma semelhante ao que ocorre durante o sono, mesmo enquanto a pessoa está acordada. Para ele, essa sincronização pode ser fundamental para entender melhor como o Alzheimer se desenvolve, já que pacientes com doenças neurodegenerativas frequentemente apresentam dificuldades de memória, além de problemas de atenção e sono fragmentado.

O estudo analisou uma coorte de aproximadamente 300 participantes com idades entre 70 e 85 anos, todos com queixas de memória, mas resultados normais em testes neuropsicológicos. Esses voluntários passaram por avaliações completas, incluindo exames cognitivos, EEG em repouso, ressonância magnética e tomografia por emissão de pósitrons (PET scan), com o objetivo de detectar depósitos de beta-amiloide, uma proteína associada ao Alzheimer, e sinais de neurodegeneração. Os exames foram repetidos após dois anos, permitindo aos pesquisadores observar se as ondas lentas poderiam antecipar o acúmulo dessas placas no cérebro. A descoberta mais surpreendente foi que alguns participantes que inicialmente não apresentavam placas amiloides, mas exibiam ondas lentas de maior amplitude na avaliação inicial, tiveram maior acúmulo desses depósitos ao longo do tempo. Essa relação ainda precisa ser confirmada, mas sugere que o padrão de atividade elétrica cerebral pode antecipar a formação de sinais característicos do Alzheimer.

Apesar de ser uma pesquisa pioneira na área, os autores destacam que ainda há muito a ser investigado antes que essas informações possam ser usadas na rotina clínica. O estudo, divulgado por uma fonte de ciência, aponta para uma evolução na compreensão do papel das ondas cerebrais na saúde cerebral e alerta que mais estudos serão necessários para validar esses achados. Ainda não há confirmação oficial por outros grupos ou especialistas externos, e o próprio instituto destacou que os resultados devem ser considerados preliminares até que novas evidências sejam levantadas.

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O que sabemos?

  • Estudo aponta que ondas cerebrais podem prever risco de Alzheimer.
  • Pesquisadores analisaram indivíduos de 70 a 85 anos com queixas de memória.
  • Ondas lentas similares às do sono aparecem em estado de vigília, após esforço cognitivo ou privação de sono.
  • Participantes sem placas de beta-amiloide inicialmente, mas com ondas de maior amplitude, desenvolveram mais depósitos ao longo de dois anos.

Fontes

  • G1 imprensa
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