Estudo revela que mulheres têm maior inteligência emocional que homens e as possíveis razões
Diferenças de gênero na habilidade de entender e lidar com emoções são analisadas ao longo de quase três décadas
Um estudo abrangente, que revisou pesquisas de 1995 a 2023 em 76 países, aponta que mulheres se destacam na inteligência emocional, especialmente na percepção e compreensão dos sentimentos alheios, mas discute fatores culturais e de prática que podem influenciar essa diferença.
Segundo uma análise abrangente publicada pela Folha de S.Paulo, mulheres são, em média, mais inteligentes emocionalmente do que homens, uma descoberta que reforça uma crença já bastante difundida na psicologia popular de que elas possuem maior sensibilidade e habilidade para perceber e administrar emoções. O estudo, que revisou quase três décadas de pesquisas realizadas entre 1995 e 2023 em 76 países e contou com dados de mais de 600 mil pessoas, aponta que essa vantagem feminina se concentra especialmente na capacidade de entender o que os outros sentem, interpretar esses sentimentos e ajudar na regulação emocional dos outros.
De acordo com os autores da pesquisa, a inteligência emocional, que envolve reconhecer, compreender e regular as próprias emoções, além de perceber e influenciar as emoções de terceiros, apresenta uma vantagem clara para as mulheres na área relacionada aos sentimentos alheios. Ainda segundo a análise, embora muitos homens também sejam excelentes em habilidades sociais e emocionais, há uma tendência de que as meninas, desde cedo, praticam mais essa leitura e interpretação emocional devido às orientações dos pais. Fontes consultadas indicam que, com as filhas, os pais costumam usar um vocabulário mais amplo relacionado às emoções e incentivam-nas a refletir sobre sentimentos, enquanto com os filhos, essa prática é menos frequente e muitas vezes voltada para a supressão emocional.
Os dados do estudo também sugerem que as diferenças entre homens e mulheres nesse aspecto não parecem ser totalmente biológicas. Uma das razões apontadas é que a vantagem feminina na inteligência emocional é menor na infância e, ao longo do tempo, essa diferença vem diminuindo, o que indicaria um fator de molde cultural e de prática social, ao invés de uma predisposição inata. Além disso, a evolução dessas diferenças ao longo das três décadas analisadas aponta para o impacto de estímulos e educação na formação dessas habilidades. Ainda não há uma explicação definitiva, já que os autores alertam que os fatores biológicos ou hormonais podem ter alguma influência, mas os padrões observados sugerem um papel importante do ambiente e do aprendizado social.
Por enquanto, a pesquisa ainda não foi confirmada oficialmente por outros estudos ou fontes independentes, e o próprio artigo da Folha destaca que aguardam-se possíveis confirmações ou divergências de outras instituições. Ainda assim, o tema reforça a importância de entender como as práticas sociais e culturais moldam habilidades humanas fundamentais, suscitando reflexões sobre educação emocional desde a infância e os papéis de gênero na formação dessas competências.
O que sabemos?
- Mulheres, em média, mais inteligentes emocionalmente que homens.
- Vantagem feminina é maior na percepção e compreensão dos sentimentos dos outros.
- Diferenças diminuem na infância e vêm se reduzindo ao longo de 30 anos de pesquisa.
- Estimula práticas culturais podem influenciar essa habilidade desde cedo.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa





