Ciência

Fósseis de neandertal com DNA preservado são encontrados na Espanha após mais de 46 mil anos

Em apuração ?

Descoberta na caverna de Abauntz fornece evidências inéditas da presença neandertal na região dos Pirenéus Ocidentais

Fósseis de ossos humanos em uma caverna na Espanha, com ferramentas de pedra ao fundo.
Imagem: Aventuras na História

Arqueólogos extrairam DNA de ossos de um neandertal de aproximadamente 46 mil anos na Espanha, marcando o primeiro registro direto na área, que até então não tinha evidências confirmadas dessa espécie na região.

Arqueólogos na Espanha fizeram uma descoberta que pode mudar o entendimento sobre a presença dos neandertais na Península Ibérica. Em uma caverna localizada na região de Navarra, na área dos Pirenéus Ocidentais, foram encontrados fósseis de um indivíduo neandertal com cerca de 46 mil anos de idade, além de restos de ferramentas e ossos de animais, segundo informações divulgadas por uma fonte especializada no assunto.

Os fósseis, que compreendem seis fragmentos, foram recuperados na caverna de Abauntz. Destes, quatro pertencem à mão direita de um homem adulto — três ossos metacárpicos e uma falange do dedo médio. Ainda não há confirmação oficial, mas análises apontam que esses ossos contêm DNA preservado, algo raro para restos tão antigos. Outros dois fragmentos, inicialmente de origem desconhecida, também foram considerados humanos após testes de proteínas.

Segundo os pesquisadores, a extração de DNA e a datação por radiocarbono — método que mede o tempo desde a morte do organismo — reforçam a autenticidade da descoberta. O DNA mostrou que o indivíduo era do sexo masculino, e as marcas de mordidas encontradas em alguns ossos indicam que o esqueleto passou por ações de carnívoros após a morte. Além disso, a camada sedimentar onde os fósseis foram encontrados revelou ferramentas de pedra e ossos de animais com marcas de corte, sugerindo que a caverna era utilizada por grupos humanos para atividades de alimentação e trabalho.

Investigadores destacam que as técnicas combinadas — genética, proteômica e radiocarbônio — foram essenciais para validar a origem dos restos. Ainda estão em andamento estudos genéticos mais aprofundados, que podem ajudar a entender as relações sociais e os deslocamentos populacionais desses primeiros habitantes. Para o coordenador do projeto, o Dr. Andion Arteaga, os ossos representam a primeira prova direta da presença de neandertais na região de Navarra, uma área estratégica, já que a caverna fica em uma rota natural de passagem entre a Península Ibérica e o restante do continente europeu.

Essa descoberta é especialmente relevante porque oferece uma janela para o fim da existência dos neandertais, que desapareceram há cerca de 40 mil anos, pouco antes do aparecimento do Homo sapiens na mesma região. Como os fósseis de Abauntz datam apenas alguns milênios antes da extinção, eles abrem possibilidades de investigar se houve contato ou intercâmbio entre as espécies, além de auxiliar na compreensão do deslocamento dessas populações pelos Pirenéus. O projeto que conduziu a pesquisa é coordenado pelo Instituto Catalão de Paleoecologia Humana e Evolução Social, e envolve uma equipe multidisciplinar de mais de 25 especialistas de várias instituições, além de associações internacionais, como o Museu do Homem em Paris e o Instituto Max Planck de Leipzig, na Alemanha.

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O que sabemos?

  • Fósseis de neandertal com 46 mil anos foram encontrados na Espanha.
  • Restos incluem ossos de mão e fragmentos humanos confirmados por análises de proteínas.
  • DNA preservado foi extraído, sendo uma descoberta rara para fósseis dessa antiguidade.
  • A caverna de Abauntz é uma rota natural de passagem entre a Península Ibérica e a Europa.
  • Estudos ainda estão em andamento para aprofundar análises genéticas e entender relações sociais dos neandertais.

Fontes

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