Ciência

Estudo revela que a preservação de pegadas humanas antigas depende do clima local

Em apuração ?

Pesquisa aponta que condições ambientais são mais determinantes do que a quantidade de pegadas na formação de fósseis

Pegadas antigas em uma superfície de lama em White Sands
Imagem: Aventuras na História

Segundo pesquisadores, fatores climáticos como o tipo de solo, a influência da água e a forma da bacia onde as pegadas foram deixadas são essenciais na sua preservação. A análise leva em conta antigas pegadas descobertas na região de White Sands, com registros de clima variável há cerca de 22 mil anos.

Recentemente, uma equipe de pesquisadores publicou um estudo que desafia a ideia tradicional de que a quantidade de pegadas humanas preservadas de antiguidade reflete quantas pessoas viveram naquele período. Segundo o artigo assinado por Matthew Bennett, da Universidade de Reading, e Sally Reynolds, da Universidade de Bournemouth, o clima e as condições ambientais locais são fatores mais decisivos para a preservação dessas marcas do que o número de pessoas que passaram pelo local.

Para chegar a essa conclusão, os cientistas criaram uma simulação de uma margem rasa de lago, onde pessoas virtuais caminharam por diferentes tipos de solo – seco, lodaçal e água. Dessa forma, puderam testar a formação e a preservação das pegadas sob diversas condições ambientais. Foi observado que, enquanto uma quantidade de marcas geradas nesses testes variou entre 113, apenas cerca de 32% delas sobreviveram ao passar do tempo em ambientes influenciados pelo vento e no meio de áreas maiores. Além disso, em ambientes com presença contínua de água, a chance de pegadas antigas sobreviverem caiu para entre 16 e 18%.

O formato da bacia ou lago em que as pegadas foram deixadas também foi considerado crucial. Bacias com margens íngremes deixam pouca lama disponível ao caminhar, dificultando a formação de marcas duradouras, enquanto locais muito planos dispersam pegadas finas, que têm menor probabilidade de se preservar. Segundo o estudo, lamaçais de largura média oferecem as melhores condições para que as pegadas se tornem fósseis. Ainda de acordo com os autores, áreas de solo em decomposição, como regiões aquáticas, favorecem a preservação por mais tempo, pois a demora na incidência da água permite uma maior manutenção das marcas ao longo dos períodos geológicos.

No caso específico da região de White Sands, onde muitas pegadas humanas foram encontradas, o clima daquela época apresentava variações climáticas bastante irregulares. Registros indicam que, entre aproximadamente 23.500 e 21.700 anos atrás, a área passava por períodos de rápida elevação do nível de água do lago devido a chuvas intensas, seguidos de secas imediatas. Assim, os arqueólogos explicam que as pegadas não representam o número de pessoas que viveu na região, mas sim que elas só foram preservadas em momentos específicos em que a combinação de passos humanos e enchentes coincidiram com condições favoráveis de preservação dos fósseis.

Essa descoberta reforça a ideia de que as pegadas fósseis, na sua maioria, não são um registro direto da população antiga, mas sim um símbolo das ocasiões em que o clima e as condições ambientais favoreceram sua preservação. Ainda não há confirmação oficial de que essa teoria seja aplicável a todas as regiões, mas o estudo abre novas possibilidades para compreender como os fósseis de pegadas podem ser interpretados pelos arqueólogos e paleontólogos no futuro, especialmente em locais com registros de clima variável como White Sands.

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O que sabemos?

  • Fósseis de pegadas dependem mais do clima do que da quantidade de pessoas.
  • Simulação mostra influência de fatores ambientais na preservação.
  • Pegadas são mais preservadas em lamaçais de largura média.
  • Clima irregular na região de White Sands afetou preservação.
  • Pegadas representam momentos de coincidência entre passos e enchentes.

Fontes

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