Ciência

Estudo revela impacto econômico da ausência de controle de pragas na soja brasileira

Em apuração ?

Perdas podem chegar a R$ 223,5 bilhões e influenciar preços de alimentos e inflação

Lavoura de soja com plantas verdes sob céu claro.
Imagem: CNN Brasil

Segundo pesquisa da UFV e CropLife Brasil, a falta de manejo fitossanitário na produção de soja poderia reduzir significativamente a oferta do grão, elevar preços e impactar outros alimentos.

Uma nova pesquisa realizada pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), em cooperação com a CropLife Brasil, revelou que a ausência de controle de pragas, doenças e plantas daninhas nas lavouras de soja do Brasil poderia causar perdas econômicas da ordem de R$ 223,5 bilhões e reduzir a produção do grão em até 121,3 milhões de toneladas. O estudo, que ainda não foi oficialmente confirmado por fontes independentes, utilizou simulações detalhadas em 10 mil iterações por estado para calcular os possíveis efeitos dessa negligência.

De acordo com o levantamento, em um cenário considerado o mais crítico, a produção brasileira de soja poderia chegar a uma redução de aproximadamente 65%, especialmente nos principais estados produtores. Essa drástica queda na oferta levaria a uma alta de até 49% nos preços do grão, o que, por sua vez, pressurearia toda a cadeia de alimentos. Segundo os autores, uma elevação de 10% no valor da soja poderia gerar aumentos de 4,6% no óleo de soja, 1,7% no leite e 1,1% nos ovos, devido à forte ligação do grão com esses produtos utilizados na alimentação humana e animal.

O estudo explica ainda a metodologia utilizada para chegar a esses números. Com o uso de modelos que consideram a elasticidade de preços com base em dados do Cepea, o coordenador da pesquisa, que também é professor da UFV, afirmou que "transformamos a perda de produtividade em quebra de oferta e, por meio de modelos calibrados, calculamos a alta no preço da soja. Depois, aplicamos o repasse desse aumento a cada alimento, ponderando pelo peso do item no IPCA." Ainda segundo ele, o estudo não deve ser entendido como uma previsão, mas como uma demonstração do cenário extremo que evidencia a importância do manejo fitossanitário para evitar prejuízos tanto para produtores quanto para consumidores.

Outro aspecto avaliado pelo estudo foi o impacto na ocupação de terras agrícolas. Para repor a produção perdida na ausência de controle, seriam necessários aproximadamente 33,5 milhões de hectares adicionais de plantio, uma área equivalente ao território do estado de Goiás. Os pesquisadores também analisaram diferentes níveis de controle de pragas, considerando cenários de controle parcial — que reduz os danos em 40% — e de controle ótimo, capaz de cortar 80% dos prejuízos. Nesses cenários, as perdas de produção seriam, respectivamente, de 72,8 milhões e 24,3 milhões de toneladas.

Por se tratar de uma produção sensível às condições ambientais, especialmente em regiões tropicais onde o clima favorece a proliferação de pragas, a relevância do manejo fitossanitário aparece como fator crítico para garantir a estabilidade da oferta de soja e, por consequência, dos preços no mercado interno e externo. Ainda não há uma confirmação oficial de que esses números representem um cenário que possa ocorrer de fato, mas o estudo serve para ilustrar o impacto que a negligência nesse controle pode gerar à economia agrícola do país.

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O que sabemos?

  • Estudo aponta perdas de R$ 223,5 bilhões na produção de soja sem controle de pragas.
  • Redução de produção pode chegar a 121,3 milhões de toneladas.
  • Preço do grão pode subir até 49% em cenário extremo.
  • Aumento de preços da soja tem impacto em óleo, leite e ovos.
  • Reprodução de quantidade perdida exigiria 33,5 milhões de hectares adicionais.

Fontes

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