História do radar meteorológico no Brasil: um marco na pesquisa climática em São Paulo
Como o avanço iniciado em Bauru contribui para o monitoramento do tempo e a agricultura paulista
Desde a instalação do primeiro radar meteorológico no Brasil, em 1974, o país avançou na tecnologia de previsão do tempo, com impacto na agricultura e na pesquisa científica.
Segundo informações da Agência FAPESP, o Brasil deu um grande passo na área de meteorologia com a instalação do seu primeiro radar meteorológico em 1974, na cidade de Bauru, no interior de São Paulo. Essa iniciativa surgiu a partir de uma colaboração internacional e de uma pesquisa liderada pelo Professor James A. Weinman, da Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos, que visitou o Brasil em 1970 a convite da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). Segundo a fonte, Weinman ajudou a estruturar diretrizes para a criação de um curso de Meteorologia na região e recomendou a instalação de um radar para monitoramento do tempo.
O projeto, oficializado em 1973 com participação do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDE), rendeu a instalação do primeiro radar do tipo banda-C no Brasil, localizado em Bauru, um município no centro do estado de São Paulo, em 1974. De acordo com a mesma fonte, o equipamento representou um avanço na pesquisa meteorológica nacional, sobretudo na detecção de tempestades à distância, análise da estrutura de tempestades de verão e linhas de instabilidade no inverno. Na época, a Rádio Eldorado começou a divulgar previsões de chuva feitas com dados do radar, beneficiando especialmente a agricultura, como o cultivo de cana-de-açúcar.
Segundo relatos da Agência FAPESP, o projeto foi considerado uma modernização importante para a agricultura paulista, dado que permitiu previsões mais precisas e o planejamento de atividades agrícolas estratégicas. Ainda de acordo com a fonte, a instalação do radar se alinhou com o objetivo do professor Weinman de formar uma equipe competente em técnicas meteorológicas avançadas. Com o crescimento do projeto, outras instituições passaram a integrar o grupo de pesquisa, como o Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), a Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo (USP) e a Escola de Engenharia de Ilha Solteira, ligada à Unesp. Assim, estudos passaram a integrar o uso de rádio-sondas, balões, aviões e planadores para entender melhor a atmosfera, com colaborações internacionais envolvendo Canadá, França, Estados Unidos, Portugal e Reino Unido.
Segundo informações não confirmadas oficialmente, um segundo radar teria entrado em operação em 1986, na Barragem de Ponte Nova, em Biritiba Mirim, sob responsabilidade do DAEE, reforçando o monitoramento meteorológico na região. Ainda na década de 1980, em 1989, o Centro Integrado de Informações Agrometeorológicas (CIIAGRO) foi criado em parceria com o Instituto Agronômico de Campinas (IAC), com o objetivo de oferecer orientações sobre as condições do tempo para atividades agrícolas, usando dados de previsão meteorológica e parâmetros agrometeorológicos.
O que sabemos?
- O primeiro radar meteorológico do Brasil foi instalado em Bauru em 1974.
- A instalação foi resultado de colaborações internacionais e do projeto RADASP, aprovado em 1973.
- O radar permitiu avanços na previsão do tempo e beneficiou a agricultura paulista.
- Outros estudos envolveram o uso de rádio-sondas, balões e aviões para analisar a atmosfera.
- Um segundo radar possivelmente foi instalado em Biritiba Mirim na década de 1980, sob responsabilidade do DAEE.
Fontes
- Agência FAPESP fonte oficial





