Ciência

NASA avança na observação de ondas no espaço-tempo com novo telescópio

Em apuração ?

Equipamento promete detectar fenômenos cósmicos inéditos por meio de tecnologia de ponta

Ilustração do sistema de três espaçonaves formando uma estrutura triangular no espaço
Imagem: Olhar Digital

A NASA está desenvolvendo um telescópio que poderá identificar ondas gravitacionais de baixa frequência, potencialmente revelando detalhes inéditos do universo. A missão faz parte do projeto europeu LISA, que envolve várias agências espaciais e tecnologia avançada para estudar o espaço de forma inovadora.

Segundo fontes da própria NASA, a agência espacial dos Estados Unidos está na fase final de desenvolvimento de um novo telescópio, chamado Engineering Test Unit, que tem como objetivo observar ondas no espaço-tempo com uma precisão sem precedentes. Essas ondas, previstas pela teoria da relatividade de Albert Einstein e detectadas pela primeira vez em 2015 por observatórios terrestres, representam uma oportunidade única para explorar fenômenos cósmicos distantes e complexos.

De acordo com informações divulgadas pela NASA, o equipamento será montado e integrado por uma companhia especializada, representando uma das últimas etapas antes da produção em larga escala para voos espaciais. O projeto faz parte da missão LISA, liderada pela Agência Espacial Europeia (ESA), com previsão de lançamento para meados da década de 2030. O sistema, que envolve três espaçonaves em órbita ao redor da Terra, formará uma estrutura triangular com 2,5 milhões de quilômetros de extensão em cada lado. Cada veículo terá dois telescópios que, por meio de feixes de laser infravermelho, transmitirão dados de forma simultânea entre as espaçonaves, permitindo detectar variações minúsculas na distância entre elas.

Segundo Ira Thorpe, cientista responsável pelo projeto na NASA, as mudanças medidas nesses instrumentos serão menores que a largura de um átomo de hélio. Ainda assim, eles serão capazes de identificar ondas gravitacionais de baixa frequência, abrindo novas possibilidades para estudar eventos como fusões de buracos negros a bilhões de anos-luz de distância, além de mapear pares de estrelas compactas, estrelas de nêutrons e buracos negros de massa estelar na vizinhança cósmica da Terra. Isso poderá contribuir, ainda, para avanços no entendimento da gravidade em contextos extremos.

Para garantir alta precisão, os telescópios serão fabricados inteiramente com Zerodur, um material de coloração âmbar feito de vidro e cerâmica, conhecido por sua resistência a mudanças de forma em variações extremas de temperatura. Essa estabilidade é essencial para a sensibilidade do equipamento. A primeira versão do telescópio foi entregue à NASA por uma fabricante em 2024, e os testes realizados forneceram dados que serão utilizados na próxima fase de desenvolvimento, que marcará a última etapa de testes antes do voo. Além disso, em junho de 2026, foi entregue também um modelo estrutural fabricado em metal, que servirá de base para futuras versões.

As ondas gravitacionais, embora previstas há mais de um século, representam uma ferramenta poderosa para a investigação de fenômenos cósmicos ao analisar perturbações no espaço-tempo causadas por objetos massivos em aceleração, como estrelas de nêutrons, buracos negros e fusões entre esses corpos celestes. Cada espaçonave também conterá uma massa de prova de ouro e platina, que flutuará livres, controlada por sensores de ambiente que garantem que a movimentação dessas massas seja influenciada apenas pela gravidade, sem interferências externas. Essa tecnologia foi testada com sucesso em 2016 pelo projeto europeu LISA Pathfinder, que demonstrou a viabilidade de reduzir forças não gravitacionais nesses componentes.

Publicidade

O que sabemos?

  • A NASA está desenvolvendo um telescópio chamado Engineering Test Unit para observar ondas no espaço-tempo.
  • A missão LISA, liderada pela ESA, tem lançamento previsto para meados da década de 2030 e envolve três espaçonaves formando um triângulo de 2,5 milhões de km em cada lado.
  • Cada espaçonave terá dois telescópios de alta precisão feitos de Zerodur, capazes de detectar variações menores que um átomo de hélio.
  • O projeto visa identificar ondas gravitacionais de baixa frequência, ampliando o estudo do universo além das possibilidades atuais.
  • A primeira entrega do telescópio à ESA ainda não foi confirmada oficialmente, e os detalhes finais estão em fase de testes.

Fontes

Publicidade