Ciência

Pesquisa cria 'super gelo' quase 10 vezes mais resistente do que o comum

Em apuração ?

Equipe de Jerusalém desenvolve material que pode revolucionar construções em regiões extremas

Ilustração do BioPykrete mostrando sua estrutura reforçada com cristais de celulose e proteína antifreeze.
Imagem: ScienceAlert

Cientistas israelenses criaram uma nova versão de gelo reforçado, capaz de suportar 70 vezes mais energia e ser até 10 vezes mais forte que o gelo tradicional. A inovação, chamada BioPykrete, tem potencial para uso na construção de estruturas em áreas remotas e geladas.

Uma equipe de pesquisadores da Universidade Hebraica de Jerusalém anunciou o desenvolvimento de um novo material chamado BioPykrete, uma versão avançada do antigo conceito de gelo reforçado usado na década de 1940. Segundo informações divulgadas pela revista ScienceAlert, essa inovação é até 10 vezes mais forte que o gelo comum e consegue absorver 70 vezes mais energia antes de se romper. O que torna essa criação especialmente interessante é sua aplicação potencial em regiões extremamente frias, como o Ártico e a Antártida, onde métodos convencionais de construção são de difícil implementação.

A ideia de usar gelo como material de construção não é nova. Durante a Segunda Guerra Mundial, a Marinha Real Britânica chegou a testar um composto chamado Pykrete, que misturava gelo com pasta de madeira para reforçar a estrutura e criar nadaréis gigantes capazes de transportar aviões e soldados. Porém, o projeto foi abandonado devido aos altos custos e à disponibilidade de outras tecnologias mais eficientes na época. Agora, a novidade vem por parte de uma equipe liderada por biochemistas que introduziram ingredientes inovadores no gelo, como cristais de celulose derivados de plantas e uma proteína especial, chamada CBM3a-AFPIII. Essa proteína funciona como uma cola molecular, ajudando a manter os cristais de celulose e o gelo unidos de forma mais eficiente.

Segundo um dos pesquisadores, Ido Braslavsky, o diferencial dessa nova composição está no controle molecular das ligações entre os componentes. “Queríamos ir além de simplesmente misturar fibras no gelo, buscando entender como esses materiais se conectam em nível molecular. Assim, conseguimos criar um material que não apenas resiste mais, mas também deforma-se lentamente, ao contrário do gelo comum, que quebra de forma abrupta”, explicou Braslavsky. Além de sua resistência, o BioPykrete tem peso e custos menores, por usar ingredientes biodegradáveis como o gelo e a celulose, o que também representa uma vantagem ambiental, já que a indústria da construção é responsável por uma parcela significativa da emissão de carbono mundial.

Apesar do avanço promissor, a equipe ainda afirma que a pesquisa é de fase inicial. O estudo publicado na revista científica aponta que o teste realizado foi em pequena escala, e muitos detalhes sobre como o material se comporta ao longo do tempo ou sob condições variáveis ainda precisam ser investigados. Os pesquisadores ressaltam que, para melhorar ainda mais a resistência, é possível experimentar diferentes variantes de proteínas antifreeze e ajustar os protocolos de congelamento, o que poderia levar a compósitos ainda mais fortes.

Com o desenvolvimento, a expectativa é que o BioPykrete possa vir a ser utilizado como uma alternativa sustentável para construção de abrigos, plataformas ou estruturas temporárias em regiões remotas, onde a utilização de concreto ou aço apresenta dificuldades. A novidade traz um potencial para reduzir os impactos ambientais ligados à construção tradicional, promovendo uma tecnologia mais verde e biodegradável, embora ainda esteja em fase de estudos e testes mais aprofundados para avalição de sua durabilidade em longo prazo.

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O que sabemos?

  • O BioPykrete é uma versão do material de gelo reforçado desenvolvido por pesquisadores de Jerusalém.
  • Ele é até 10 vezes mais forte que o gelo comum e pode absorver 70 vezes mais energia antes de quebras.
  • A pesquisa foi publicada na revista científica Colloids and Surfaces B: Biointerfaces.
  • O material usa ingredientes como cristais de celulose e uma proteína antifreeze para melhorar a resistência.”

Fontes

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