Descoberta de 57 novas espécies marinhas em cânion submarino na Argentina
Expedição revela biodiversidade inexplorada a 3.500 metros de profundidade no Atlântico Sul
Uma expedição científica na Argentina identificou 57 novas espécies marinhas no Cânion do Mar del Plata, elevando o conhecimento sobre ecossistemas profundos.
Uma expedição pioneira aos cânions subterrâneos da Argentina revelou uma biodiversidade surpreendente, com a descoberta de 57 novas espécies marinhas, além de cinco gêneros ainda não taxonomicamente classificados. O grupo de pesquisadores, liderado pelo Schmidt Ocean Institute, realizou a exploração entre julho e agosto de 2025, utilizando um veículo remoto para acessar regiões até então pouco conhecidas a cerca de 3.500 metros de profundidade no Cânion do Mar del Plata, a aproximadamente 300 quilômetros da costa de Mar del Plata. Segundo informações divulgadas em um workshop realizado na Universidade Maimónides, em julho deste ano, a iniciativa contou com a participação de 20 especialistas da América do Sul e da Europa, que acompanharam a análise minuciosa das amostras biológicas coletadas durante 21 dias de expedição.
O objetivo da missão era obter uma visão mais aprofundada da biodiversidade dessas regiões marítimas remotas, utilizando um veículo operado remotamente equipado com câmeras de alta definição e mecanismos de coleta. Essa tecnologia permitiu uma observação direta das formas de vida existentes ali, ao mesmo tempo em que as imagens eram transmitidas ao vivo para espectadores na internet, o que resultou em mais de 4 milhões de visualizações ao longo do período. A área de exploração fica na Zona de Confluência Brasil-Malvinas, uma região de forte energia no Atlântico Sul, conhecida por suas correntes que trazem água quente e salgada dos trópicos para os polos, criando condições ideais para uma diversidade biológica elevada — embora pouco se soubesse sobre esses ecossistemas até então.
Segundo a análise oficial, a maior parte das novas espécies catalogadas foi classificada dentro do filo dos equinodermos, como pepinos-do-mar e estrelas-do-mar, incluindo uma espécie apelidada de “Loki”, por sua aparência com chifres, em referência ao deus nórdico. Outras descobertas envolvem vinte copépodes, crustáceos muito comuns em ambientes marinhos, além de 14 cnidários, que compreendem octocorais, gorgônias e penas-do-mar, além de um molusco escafópode. Uma pena-do-mar, coletada por um braço robótico, faz parte de uma família não nomeada ainda oficialmente, pertencente aos cnidários. Essas amostras ficarão armazenadas em institutos argentinos, como o Museu Argentino de Ciências Naturais.
De acordo com os inscritos no projeto, ainda não há confirmação oficial sobre quando novas expedições serão realizadas, mas os pesquisadores do Schmidt Ocean Institute já planejam uma nova aventura para o começo de 2027, com a expectativa de explorar outro cânion de alta biodiversidade na mesma região. O sucesso da operação, por sua vez, reforça a importância de pesquisas em ambientes marinhos profundos, que podem esconder segredos de grande valor científico e ecológico. A expectativa é de que essas descobertas ajudem a ampliar o entendimento sobre ecossistemas raros e a conservação de espécies que ainda nem receberam nomes científicos definidos, muitas das quais permanecem desconhecidas.
O que sabemos?
- Foram descobertas 57 novas espécies marinhas na Argentina.
- A expedição ocorreu entre julho e agosto de 2025.
- A exploração foi feita no Cânion do Mar del Plata, a 3.500 metros de profundidade.
- Mais de 4 milhões de espectadores acompanharam ao vivo a transmissão das imagens.
- Pesquisadores planejam nova expedição para 2027, explorando outro cânion. ociente.
Fontes
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