Estudo sugere relação entre células imunológicas e envelhecimento saudável
Marcador imunológico pode ajudar a entender diferenças no envelhecimento de pessoas com mesma idade
Pesquisa publicada na revista Immunity revela que a proporção de certos tipos de células de defesa pode indicar o risco de doenças relacionadas ao envelhecimento. Ainda não confirmado oficialmente, o estudo analisa células T de memória e proteínas sanguíneas.
Um estudo recém-publicado na revista científica Immunity, divulgado na sexta-feira, 9, traz uma possível pista sobre como o sistema imunológico pode ajudar a explicar por que pessoas da mesma idade podem envelhecer de formas tão distintas. Segundo os pesquisadores, há uma associação entre a proporção de células de defesa específicas, chamadas células T de memória, e o risco de desenvolver doenças crônicas relacionadas ao envelhecimento.
Essas células T de memória se desenvolvem após o contato com agentes infecciosos ou vacinas e produzem proteínas chamadas granzimas, que desempenham papel importante na destruição de células infectadas. No estudo, os cientistas analisaram a quantidade dessas células, principalmente as que produzem granzimas K e B, em mais de 2.600 pessoas com idades entre 18 e 97 anos. Eles descobriram que indivíduos com menor proporção de células produtoras de granzima K, em relação às que produzem granzima B, tinham maior probabilidade de apresentar doenças autoimunes e condições imunológicas crônicas.
Em uma segunda etapa, a equipe examinou proteínas presentes no sangue de 329 participantes para identificar uma assinatura que indicava maior quantidade de células produtoras de granzima B. Posteriormente, esse padrão foi investigado em um banco de dados de saúde do Reino Unido que inclui cerca de 48 mil pessoas, o UK Biobank. Os resultados obtidos sugerem que quem apresentava níveis mais elevados dessas células, estimados a partir das proteínas no sangue, tinha maior risco de morrer, desenvolver diabetes, hipertensão, além de problemas hepáticos e renais ao longo de aproximadamente 17 anos.
De acordo com Maxim Artyomov, imunologista da Universidade Washington em St. Louis e um dos autores do estudo, essa proporção celular pode futuramente ajudar a avaliar como uma pessoa envelhece. No entanto, ele reforça que não há certeza de que o desequilíbrio cause diretamente as doenças, já que essa relação pode ser também uma consequência delas. Além disso, eles destacam que as células produzidas pelas granzimas K em camundongos apresentam diferenças em relação às encontradas em humanos, o que limita comparações diretas entre as espécies.
Por ora, pesquisadores ressaltam que mais estudos com populações humanas de diferentes perfis ainda são necessários para compreender melhor esse mecanismo e definir se esse padrão pode realmente servir como um marcador de saúde para o envelhecimento.
O que sabemos?
- Estudo publicado na revista Immunity relaciona células T de memória e envelhecimento.
- Indivíduos com menor proporção de células produtoras de granzima K têm maior risco de doenças autoimunes.
- Níveis elevados de células produtoras de granzima B estão associados a piores desfechos de saúde ao longo de 17 anos.
- Pesquisadores acreditam que essa proporção pode futuramente ajudar na avaliação do envelhecimento.
- Ainda não há confirmação de que o desequilíbrio provoque diretamente as doenças.
Fontes
- Aventuras na História fonte especializada





