Cientistas descobrem o gene responsável pela coloração laranja nos gatos e explicam diferenças entre machos e fêmeas
Novas pesquisas revelam aspectos genéticos que influenciam a cor dos felinos e suas variações biologicamente explicadas
Estudos internacionais identificaram o gene Arhgap36 como fator central na cor de gatos laranja, explicando por que a maioria deles é macho e as variações entre fêmeas.
Cientistas de diferentes partes do mundo descobriram detalhes importantes sobre a genética por trás da coloração dos gatos laranja, uma característica que costuma despertar curiosidade entre os donos e amantes de felinos. Segundo informações divulgadas pela revista científica Current Biology, o gene chamado Arhgap36 é a peça central nesse processo. Essa descoberta esclarece por que quase todos os gatos dessa tonalidade são machos e por que as fêmeas frequentemente apresentam combinações de pelos pretos, laranjas e brancos.
Uma das equipes envolvidas nesse avanço, liderada pelo geneticista Greg Barsh, da Universidade Stanford, revelou que há uma expressão do RNA – uma molécula que ajuda na produção de proteínas – 13 vezes maior em células da pele responsáveis pelo crescimento dos pelos laranja, quando comparadas às células de gatos que não possuem essa coloração. Inicialmente, os pesquisadores tentaram identificar uma mutação na região do gene responsável por produzir proteínas, mas a alteração foi encontrada em uma sequência anterior, com a deleção de um segmento de 5 quilobases (kb). Armazenada em um banco de dados com 188 gatos, essa variação foi encontrada em todos os 145 gatos laranja analisados, além de seis que apresentavam pelagem tricolor ou escama de tartaruga, e 37 sem pelos dessa cor específica. Tais resultados reforçam a hipótese de que o gene relacionado à coloração está localizado no cromossomo X, que difere entre machos e fêmeas. Como os machos possuem apenas um cromossomo X, a presença da mutação já é suficiente para que eles tenham pelos laranja. Nas fêmeas, que têm dois cromossomos X, o processo é mais complexo: durante o desenvolvimento, há uma inativação aleatória de um dos X, levando a áreas com diferentes pigmentações na pele (uma região com o gene da cor laranja ativo e outra com ele inativado). Essa variável determina se a gata terá uma pelagem típica de calico, com manchas pretas, laranjas e brancas, ou o padrão tricolor, além de explicar a ocorrência de pelos brancos, que é resultado de uma mutação que prejudica o desenvolvimento de células pigmentares durante a formação embrionária.
Outra equipe, liderada pelo geneticista Hidehiro Toh, da Universidade de Kyushu, no Japão, também reforçou a relação do gene Arhgap36 com a cor laranja, ao observar que sua maior expressão suprime genes ligados à pigmentação escura — promovendo a troca de eumelanina (tons de marrom e preto) por feomelanina (tons avermelhados e amarelos) nos pelos. Ainda que o gene esteja associado a problemas de desenvolvimento em outros animais quando apresenta atividade excessiva ou insuficiente, nos gatos laranja essa expressão elevada parece ocorrer de modo específico nos melanócitos, as células responsáveis pela pigmentação, durante o crescimento e maturação. A questão da inteligência desses gatos, muitas vezes associada a uma suposta menor capacidade cognitiva, não possui respaldo científico, segundo o estudo, que aponta que a mutação não traria consequências negativas à saúde ou ao bem-estar mental dos felinos.
Apesar de ainda não confirmado oficialmente por outras fontes além da publicada na revista científica, essa pesquisa traz uma luz nova sobre um dos traços mais característicos dos gatos domésticos, ajudando a entender aspectos genéticos que vão além da estética e podem influenciar o próprio desenvolvimento biologicamente. Ainda não há uma resposta definitiva sobre todas as implicações dessa mutação, mas o avanço certamente será uma base para estudos futuros, além de oferecer uma explicação mais clara para uma característica que sempre despertou interesse de criadores e fãs de felinos. A pesquisa também reforça o papel do cromossomo X na determinação de diferenças de coloração entre machos e fêmeas, reforçando conceitos básicos da genética de uma maneira acessível ao público leigo.
O que sabemos?
- O gene Arhgap36 é responsável pela coloração laranja em gatos.
- Gatos machos têm maior facilidade de serem laranja devido à presença de um único cromossomo X.
- Fêmeas podem apresentar padrões tricolores ou calico pela inativação aleatória dos X.
- A mutação relacionada à cor laranja foi encontrada em todos os gatos laranja analisados.
- Expressão elevada do gene afeta a troca de pigmentos na pele dos gatos.
Fontes
- Olhar Digital fonte especializada




