Ciência

Retorno do monitoramento de tubarões no litoral de Pernambuco após 11 anos

Em apuração ?

Pesquisadores retomam estudos com tecnologia de rastreamento para entender melhor esses animais e reduzir riscos de ataques

Equipe de pesquisadores preparando equipamentos para monitoramento de tubarões no litoral de Pernambuco.
Imagem: G1

Após mais de uma década sem monitoramento, equipe da Universidade Federal Rural de Pernambuco voltou a estudar tubarões na costa do estado, buscando informações que possam tornar o banho de mar mais seguro.

Pesquisadores da Universidade Federal Rural de Pernambuco retomaram, recentemente, o monitoramento científico de tubarões ao longo do litoral pernambucano – uma atividade que havia sido interrompida há 11 anos devido à falta de recursos. Segundo fontes da própria equipe de pesquisa, o trabalho visa compreender melhor a presença e o comportamento desses animais na região, especialmente em áreas com histórico de incidentes.

De acordo com o coordenador do Projeto Ecotuba, Paulo Oliveira, o objetivo principal é entender a utilização do espaço marítimo pelos tubarões, o que pode ajudar a diminuir os riscos de novos ataques, sobretudo em pontos considerados de perigo. O projeto inclui capturas controladas, marcação dos animais com dispositivos chamados transmissores acústicos – uma espécie de rastreador que detecta a movimentação dos tubarões na água – e coleta de dados para estudos futuros. A expectativa é alcançar, até o fim de 2026, cerca de cem expedições e implantar os dispositivos em aproximadamente 50 tubarões.

As expedições começaram na área próxima à Praia del Chifre, em Olinda, um ponto onde incidentes com tubarões já foram registrados. Recentemente, os pesquisadores decidiram lançarem novamente um espinhel – uma rede de captura –, desta vez a cerca de 5 km do Porto do Recife, numa tentativa de obter mais informações sem necessariamente capturar os animais. Segundo a equipe, embora a captura ainda não tenha ocorrido, o esforço tem sido considerado positivo, já que possibilita testes de equipamentos e treinos com a equipe.

Um estudante de Engenharia de Pesca que acompanha a iniciativa destacou a importância da pesquisa, afirmando que “em todo o Brasil não se tem a quantidade de casos que tem aqui. Então, a gente assume essa linha de frente e busca essas respostas o mais rápido possível”. Essa retomada do monitoramento, ainda que em fase de testes, surge em um contexto de preocupação crescente, já que, só em 2026, foram registrados três ataques na região, e desde 1992 o estado de Pernambuco contabiliza 84 incidentes envolvendo tubarões, com 27 mortes financeiras.

O trabalho vem sendo conduzido de forma cautelosa e com recursos limitados, o que explica o atraso na retomada das atividades de pesquisa. Ainda não há confirmação oficial de que a instituição conseguirá manter o projeto com o mesmo vigor das expedições iniciais, ou se outras instituições vão se envolver na iniciativa. A equipe espera que os dados colhidos possam contribuir para estratégias de prevenção mais eficazes, promovendo uma convivência mais segura entre banhistas e a vida marinha na costa pernambucana.

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O que sabemos?

  • Pesquisadores da Universidade Federal Rural de Pernambuco retomaram monitoramento de tubarões no litoral de Pernambuco.
  • A atividade tinha sido interrompida há 11 anos por falta de recursos.
  • Até 2026, o grupo planeja realizar cerca de cem expedições e instalar transmissores acústicos em 50 tubarões.
  • A pesquisa começou na área de Praia del Chifre, em Olinda, e recentemente foram feitas tentativas de captura a cerca de 5 km do Porto do Recife.
  • Desde 1992, Pernambuco registra 84 incidentes envolvendo tubarões, com 27 mortes; a maior parte dos ataques envolve tubarões-tigre e cabeça-chata.

Fontes

  • G1 imprensa
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