Paciente vive quase um ano com rim de porco em estudo inovador nos EUA
Segundo pesquisa, transplante de órgão de porco a um humano durou 271 dias sem complicações graves
Um homem de 66 anos recebeu um rim de porco em um estudo no Massachusetts General Hospital e sobreviveu por mais de oito meses. A iniciativa busca avançar na técnica de xenotransplante, que permite órgãos de espécies diferentes serem utilizados em humanos.
Um caso inédito nos Estados Unidos chamou atenção do mundo científico ao registrar a permanência de um paciente vivo com um rim de porco por 271 dias, em um estudo liderado por pesquisadores do Massachusetts General Hospital, em Boston. Segundo informações de uma fonte que acompanha o projeto, o procedimento ocorreu no início de 2025 e é visto como um avanço na busca por soluções para a escassez de órgãos para transplante. O paciente, de 66 anos, enfrentava insuficiência renal em estágio terminal e, devido à falta de órgãos compatíveis, recebeu um rim de porco por meio de uma técnica de xenotransplante, que consiste na transferência de órgãos de uma espécie para outra.
De acordo com a mesma fonte, o procedimento foi realizado após uma solicitação junto à FDA, agência reguladora dos Estados Unidos, que autorizou o uso de um medicamento experimental de acesso expandido. O órgão suíno transplantado funcionou de imediato, sem necessitar de diálise, uma expectativa que trouxe esperança para a medicina de transplantes. Durante o acompanhamento, que durou quase nove meses, os pesquisadores observaram uma rejeição mediada por células T, que foi controlada com medicamentos específicos, além de evitar a transmissão de patógenos suíneos ao paciente.
O estudo citou ainda que, ao longo do tempo, a resposta imunológica do paciente apresentou uma diminuição, embora após seis meses tenha ocorrido uma inflamação e uma microvasculite que levou à falência do rim. Interessante notar que, ao perder o órgão, o paciente recebeu imediatamente um transplante de rim humano de um doador falecido, o que demonstra o potencial de uso temporário do órgão de porco enquanto se aguarda uma doação humana definitiva. Segundo o pesquisador brasileiro Leonardo Riella, especialista em transplantes de rins e um dos líderes do estudo, o xenotransplante funciona inicialmente como uma “ponte” até que órgãos humanos possam ser disponibilizados de forma mais ampla.
Embora os resultados sejam animadores, especialistas ainda manifestam preocupação com riscos relacionados à infecção zoonótica, ou seja, transmissão de doenças de animais para humanos, além de possíveis respostas imunológicas adversas. A expectativa é que, a partir dessa pesquisa, o uso de órgãos de porcos seja aprimorado, inicialmente como uma alternativa temporária para pacientes em situação de urgência, mas com potencial de evoluir para uma solução definitiva.
O que sabemos?
- Um paciente de 66 anos viveu 271 dias com rim de porco após transplante nos EUA.
- O procedimento foi autorizado pela FDA, com uso de medicamento experimental.
- O rim suíno funcionou imediatamente e sem complicações graves iniciais.
- Após quase nove meses, o órgão falhou, mas o paciente recebeu um rim humano.
- Pesquisadores consideram o estudo um avanço na xenotransplante, que prevê o uso de órgãos de animais em humanos.
Fontes
- CNN Brasil imprensa




