Ciência

Cientistas criam cães hipoalergênicos através de edição genética

Em apuração ?

Inovação pode transformar o mercado de animais de estimação para pessoas alérgicas

Imagem ilustrativa de cães e laboratório de genética
Imagem: G1

Pesquisadores americanos desenvolveram os primeiros cães geneticamente modificados para reduzir reações alérgicas, eliminando a proteína responsável por causar alergias em humanos.

Uma equipe de cientistas nos Estados Unidos anunciou a criação dos primeiros cães hipoalergênicos do mundo. Segundo relato de uma fonte que acompanha o estudo, a empresa americana Kindred Companion Sciences usou uma tecnologia de edição genética para eliminar uma proteína que provoca a maioria das reações alérgicas em pessoas sensíveis a cães. Os resultados iniciais já estão visíveis em duas beagles saudáveis, chamadas Alfie e Bailey, que nasceram em setembro de 2024 e que, até o momento, não apresentaram problemas de saúde.

De acordo com a fonte, o procedimento envolveu a edição de células de um feto de beagle, usando uma ferramenta chamada CRISPR. Essa tecnologia funciona como uma tesoura molecular que identifica um trecho específico do código genético — no caso, o gene responsável por fabricar a proteína Can f 1, considerada o principal alérgeno canino. Ao fazer um corte preciso nesse gene, os cientistas conseguiram causar uma mutação que impede a produção da proteína, que é encontrada na saliva, na língua, no pelo e na caspa dos cães.

Para atuar nos animais, as células editadas foram clonadas, por meio de uma técnica conhecida como transferência nuclear de célula somática, método também usado na criação da ovelha Dolly, em 1996. Como resultado, surgiram os dois filhotes, que vivem sob supervisão veterinária e permanecem sem sinais de problemas, além de passarem por testes que confirmaram a ausência do alérgeno. Para avaliar se o animal realmente deixava de provocar reações, os pesquisadores fizeram um teste cutâneo em um voluntário alérgico a cães, cujo extrato do cão geneticamente modificado não provocou qualquer reação.

Segundo a fonte, a pesquisa ainda está em fase inicial, e os cientistas acreditam que há potencial para o desenvolvimento de uma nova geração de cães de estimação compatíveis com pessoas alérgicas. Ainda assim, eles ressaltam que outros estudos são necessários para comprovar a segurança e eficácia a longo prazo. A empresa que lidera a pesquisa está pleiteando uma patente para a tecnologia e não há confirmação oficial de que esses cães já estejam disponíveis para adoção ou comercialização.

Com o avanço dessa tecnologia, espera-se que, no futuro, se possa oferecer uma alternativa viável para quem gosta de cachorros mas não consegue ter um por causa de alergias severas. No entanto, ainda não se sabe quando essa novidade poderá chegar ao mercado ou se haverá restrições na sua aplicação, já que a ciência ainda precisa comprovar a segurança do método em estudos maiores e com mais animais.

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O que sabemos?

  • Cientistas criaram cães geneticamente modificados para eliminar proteína alérgica.
  • Dois filhotes, Alfie e Bailey, nasceram em setembro de 2024 e estão saudáveis.
  • A edição genética foi feita usando tecnologia CRISPR.
  • O DNA do gene que produz a proteína Can f 1 foi alterado para impedir sua produção.
  • Os cães foram clonados a partir de células editadas.

Fontes

  • G1 imprensa
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