Ciência

Pesquisas arqueométricas revelam ingredientes de tintas egípcias antigas

Em apuração ?

Estudo aponta uso de proteínas de couro, ovos e plantas na composição de tintas do Egito Antigo

Representação de pinturas egípcias antigas com cores vibrantes
Imagem: Folha de S.Paulo

Uma análise inédita de pinturas egípcias antigas identificou proteínas de origem animal e vegetal empregadas na produção de tintas, reforçando o conhecimento sobre as técnicas usadas na arte e na conservação dessas obras.

Segundo uma pesquisa publicada na revista Science Advances, o segredo por trás das cores vibrantes presentes em artefatos egípcios antigos envolve uma mistura surpreendente de ingredientes provenientes de animais e plantas. Os cientistas, liderados por pesquisadores europeus, analisaram 28 amostras de objetos históricos, incluindo caixões, fragmentos de tumbas e estruturas arquitetônicas, que datam desde o Novo Império, por volta de 1400 a.C., até o período romano, por volta de 400 d.C. Essa investigação, considerada a mais completa até hoje sobre a composição química dessas pinturas, revelou detalhes que ajudam a entender melhor os processos utilizados pelos antigos.

De acordo com os autores do estudo, a maior ênfase ficou na análise de componentes que atuam como adesivos e fixadores, responsáveis pela durabilidade das cores ao longo do tempo. Utilizando uma técnica avançada capaz de separar e identificar os fragmentos de proteínas presentes nas tintas, os pesquisadores descobriram que o colágeno — uma proteína comum na pele, ossos e vísceras de animais — predominava nessas fórmulas. Ainda segundo a análise, o colágeno de origem bovina foi o mais comum, mas também foi identificado de cabras, ovelhas, jumentos, cavalos e até antílopes. Acredita-se que esses resíduos, muitas vezes provenientes do consumo de carne ou de animais mortos por outras causas, eram fervidos para produzir um tipo de adesivo usado na composição.

Além disso, proteínas de plantas como o gergelim, conhecido por seu uso em alimentos e óleos, e de cereais como trigo e cevada — essenciais na alimentação egípcia, especialmente na produção de pão e cerveja — também foram detectadas. Interessantemente, proteínas de clara e gema de ovos de galinha foram identificadas na camada de tinta verde de uma tumba, indicando sua possível função como fixador de cor. Essas descobertas reforçam a complexidade e o conhecimento técnico que os egípcios já possuíam, há milhares de anos, na criação de obras de arte duradouras e coloridas.

Segundo um dos pesquisadores, essas informações auxiliam na conservação das pinturas e na compreensão das técnicas antigas, além de abrir novas possibilidades para a pesquisa em arqueologia e história da arte. Ainda não há confirmações oficiais de que esses ingredientes específicos tenham sido utilizados em todas as peças estudadas ou se representam uma prática comum, já que o estudo aguarda validações adicionais. Apesar disso, o avanço técnico na análise química das obras oferece uma nova perspectiva sobre a engenhosidade dos artistas egípcios e seu conhecimento sobre materiais naturais, que possibilitaram a preservação de suas cores e símbolos até os dias atuais.

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O que sabemos?

  • Análise de pinturas egípcias antigas revelou componentes químicos como proteínas de origem animal e vegetal.
  • O estudo utilizou técnicas de separação e identificação de peptídeos para determinar a composição.
  • Proteínas de colágeno bovino, cabra, ovelha, jumento, cavalo e antílope foram encontradas nas amostras.
  • Plantinhas como gergelim, trigo e cevada também compuseram as tintas, além de proteínas de ovos de galinha.
  • A pesquisa ainda não foi confirmada oficialmente por outras fontes além da Folha de S.Paulo.

Fontes

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