Especialista explica o fenômeno dos chamados 'Lázaros' na ciência
Descubra como espécies consideradas extintas podem, na verdade, estar entre nós
Fenômeno dos Lázaros revela que animais ou fósseis considerados desaparecidos podem ser redescobertos, mudando entendimentos científicos.
Você já ouviu falar dos 'Lázaros' na ciência? Segundo um especialista da Universidade Regional do Cariri (Urca), esse termo é usado para descrevê-los: espécies que foram consideradas extintas, mas foram, posteriormente, reencontradas. A expressão remete à história bíblica do personagem que ressuscita após quatro dias, e é mais comum do que se imagina no mundo da biologia e da paleontologia.
De acordo com o professor Daniel Lima, um fóssil de uma espécie hipotética, datado em cerca de 100 milhões de anos, leva a uma conclusão inicial de extinção. No entanto, anos depois, um novo fóssil de um mesmo animal, datado em 75 milhões de anos, é encontrado. Essa descoberta mostra que o animal pode ter sobrevivido por um período depois do que se acreditava, ou que ele ainda está vivo, escondido em locais de difícil acesso. O especialista explica que esse fenômeno pode ocorrer por diversas razões: a espécie estar vivendo em locais remotos, como áreas de grandes profundidades oceânicas, ou por problemas na coleta de dados, como intervalos de registros fósseis incompletos, que deixam lacunas na história.
Um exemplo clássico citado pelo especialista é o do peixe celacanto, considerado extinto há cerca de 66 milhões de anos, junto com os dinossauros. A descoberta de um exemplar vivo na costa da África do Sul em 1938, quase um século após a primeira descrição da espécie, mudou completamente o entendimento sobre ela. Segundo Daniel Lima, esse caso demonstra que a espécie nunca realmente desapareceu, apenas escapou da nossa observação por estar em ambientes de difícil acesso – no caso, a profundidade de 200 a 1000 metros do oceano.
O professor ressalta que, para que um ser vivo ou fóssil seja classificado como extinto, é necessário um rigoroso conjunto de dados que mostrem ausência de sinais da espécie há bastante tempo. Mesmo assim, as falhas no registro, sobretudo por dificuldades de acesso a certos ambientes, fazem com que muitas espécies possam estar vivas, ainda que sem serem detectadas. Assim, o fenômeno dos Lázaros revela uma parte importante de como a ciência trata a extinção, que nem sempre é definitiva, e que novas descobertas podem estar à espera em lugares inexplorados ou pouco acessíveis.
Por enquanto, o estudo desses casos ainda está em andamento, e o próprio caso do celacanto serve como exemplo de como a ciência muda e se adapta às novas descobertas. Ainda não há confirmação de espécies que tenham sido consideradas extintas e, após anos, tenham sido reencontradas na atualidade no Brasil ou em outras partes do mundo, mas o fenômeno continua a gerar debates e levantamentos em comunidades científicas.
O que sabemos?
- Espécies consideradas extintas podem ser relamente vivas em ambientes de difícil acesso.
- Fenômeno dos Lázaros envolve fósseis e seres vivos que voltam a ser encontrados após longos períodos.
- Exemplo famoso é o celacanto, peixe considerado extinto há milhões de anos, encontrado vivo em 1938.
- Classificação de extinção exige dados rigorosos, mas lacunas no registro podem enganar.
- Novas descobertas nesse campo podem mudar o entendimento sobre várias espécies e sua história.
Fontes
- Superinteressante fonte especializada





