João Guimarães Rosa e a viagem que inspirou sua obra-prima
Autor de 'Grande Sertão: Veredas' realizou uma travessia a cavalo pelo sertão mineiro em 1952
Em maio de 1952, o renomado escritor e médico João Guimarães Rosa percorreu a região do sertão de Minas Gerais, uma experiência que foi fundamental para a criação de suas obras mais influentes.
Segundo fontes da Universidade de São Paulo (USP), João Guimarães Rosa, autor de clássicos da literatura brasileira como 'Sagarana' e 'Grande Sertão: Veredas', realizou em maio de 1952 uma viagem a cavalo por uma extensão de 220 quilômetros pelo sertão de Minas Gerais. A jornada começou nos gerais e terminou nos pastos da fazenda de um primo, situada em Araçaí, próxima à sua cidade natal, Cordisburgo. Essa travessia é considerada uma das experiências mais importantes na formação do autor, que, na época, tinha 44 anos e voltava de uma estadia de três anos em Paris, marcada pelo desejo de reviver o ambiente do sertão que tanto apreciava.
De acordo com Érico Melo, pós-doutor em literatura comparada e especialista no autor mineiro, Rosa fez a viagem a cavalo, dormindo ao relento junto com vaqueiros, e anotando suas observações em cadernetas particulares, as chamadas 'cahiers d’écrivain', que ele carregava atadas com barbante no segundo botão de sua camisa. Essas anotações, coletadas em 157 páginas manuscritas em dois volumes denominados 'A boiada 1' e 'A boiada 2', estão entre os aproximadamente 20 mil documentos do Fundo João Guimarães Rosa, guardados no Instituto de Estudos Brasileiros da USP. Melo afirma que muitas frases dessas anotações foram reproduzidas nos livros do autor, sobretudo em 'Corpo de baile' e em 'Grande Sertão: Veredas', ambos publicados em 1956.
Segundo o especialista, essa jornada foi um verdadeiro evento 'deflagrador' da escrita de Rosa, que desde então se fixou na narrativa da vida no sertão brasileiro. A experiência não só alimentou sua produção literária, mas também criou uma ligação visceral do autor com a cultura e o ambiente que constituiu sua obra. Ainda que detalhes precisos sobre a viagem e seu impacto concreto na construção dos relatos sejam objeto de estudos, a relevância dessa travessia na formação do autor é inegável, segundo fontes da USP.
Ressalta-se que essas anotações de Rosa, repletas de frases e observações, permanecem como uma parte importante do seu legado, ilustrando o quanto sua conexão com o sertão foi fundamental para a riqueza de sua narrativa e para a representação da alma brasileira em seus livros mais emblemáticos.
Embora o clube não tenha se pronunciado oficialmente sobre possíveis novas descobertas ou detalhes adicionais relacionados a essa viagem, a história já consolidada revela o quanto a experiência pessoal do autor influenciou a literatura brasileira e seu entendimento do sertão, uma região que ainda reserva muitos segredos e que continua a fascinar leitores e estudiosos até hoje.
O que sabemos?
- João Guimarães Rosa realizou uma viagem a cavalo por 220 km no sertão de Minas Gerais em maio de 1952.
- A jornada ocorreu após sua estada de três anos em Paris e foi símbolo de sua conexão com o sertão.
- Ele anotou suas observações em cadernetas, que estão entre os documentos do Fundo João Guimarães Rosa na USP.
- As anotações ajudaram na criação de obras como 'Corpo de baile' e 'Grande Sertão: Veredas'.
- A viagem é considerada um evento decisivo na formação de sua obra literária.
Fontes
- Revista Pesquisa FAPESP fonte oficial
- Agência FAPESP fonte oficial



