Ciência

Experimento na Amazônia investiga impacto de aumento de CO2 na floresta tropical

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Primeiro estudo de campo usando tecnologia de fertilização por CO2 na vegetação amazônica vai monitorar mudanças por uma década

Estrutura de torres de CO2 em uma floresta tropical na Amazônia
Imagem: Revista Pesquisa FAPESP

Uma colaboração internacional iniciada em 2011 prepara-se para testar como a maior floresta tropical do mundo reage a uma elevação de 50% no dióxido de carbono na atmosfera, uma das principais causas das mudanças climáticas.

Segundo informações divulgadas por uma fonte ligada ao projeto AmazonFace, um experimento internacional de grande escala está prestes a começar na Amazônia para estudar os efeitos de um ambiente com níveis de dióxido de carbono (CO2) 50% maiores do que os atuais. O objetivo é entender como essa mudança pode alterar a dinâmica da maior floresta tropical do planeta, contendo aproximadamente 400 bilhões de árvores, de acordo com dados de estudos anteriores.

O projeto, anunciado recentemente pela mesma fonte, será o primeiro no mundo a usar a tecnologia conhecida como free-air CO2 enrichment, ou fertilização por CO2, para monitorar uma floresta tropical em sua totalidade. Essa tecnologia, criada na década de 1990 nos Estados Unidos, consiste em liberar ar enriquecido com CO2 ao redor de áreas específicas de floresta, imitando um aumento natural desse gás na atmosfera. Segundo a fonte, a instalação dessas estruturas na Reserva ZF2, uma estação experimental do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) localizada a cerca de 70 quilômetros ao norte do centro de Manaus, está prevista para junho, e os testes finais começam as atividades de monitoramento nos próximos meses.

Em linhas gerais, a ideia é que o excesso de CO2 atuaria como um fertilizante para as plantas, estimulando seu crescimento e potencialmente permitindo que elas absorvam mais carbono da atmosfera. Essa relação é frequentemente chamada de “fertilização por CO2”, e o efeito, na teoria, beneficiaria a redução do impacto do aquecimento global, já que as plantas fixariam mais carbono, produzindo maior biomassa. Contudo, a compreensão de como esse efeito operaria na imensa biodiversidade da Amazônia — que abriga cerca de 16 mil espécies de plantas — ainda é incerta. É possível que as mudanças levem a alterações na interação entre espécies, adaptações ao clima e uso de recursos como água e nutrientes.

Segundo o ecólogo e meteorologista David Lapola, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), responsável por um dos coordenadores nacionais do projeto, "o experimento é o primeiro no mundo que vai usar a tecnologia Face para estudar uma floresta tropical. Os outros estudos foram feitos em regiões de clima temperado, com vegetação diferente da amazônica". Ainda não há uma confirmação oficial de que as medições irão começar em agosto, como previsto, mas o projeto prevê uma monitorização contínua em seis parcelas, cada uma circundada por um anel de 30 metros de diâmetro, formado por 16 torres de 35 metros de altura conectadas a um tanque que fornece o CO2 líquido.

A expectativa é que os resultados desse estudo possam ampliar o entendimento sobre a resiliência da biodiversidade amazônica às mudanças climáticas e às emissões de gases de efeito estufa. Ainda assim, como o projeto ainda está em fase inicial, o impacto real desse aumento de CO2 no ecossistema, sua biodiversidade e na própria floresta será avaliado ao longo de uma década, trazendo respostas que podem influenciar estratégias globais de combate às mudanças ambientais.

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O que sabemos?

  • Experimento na Amazônia vai estudar impacto de aumento de 50% no CO2 na floresta.
  • Tecnologia de fertilização por CO2 será usada para monitorar seis parcelas na reserva ZF2.
  • Início do monitoramento previsto para o fim de junho, com medições contínuas a partir de agosto, se não houver impedimentos.
  • Primeiro estudo de campo de fertilização por CO2 em floresta tropical, com tecnologia criada na década de 1990.
  • Projeto faz parte do programa AmazonFace, iniciado em 2011, para entender os efeitos do clima na floresta tropical.

Fontes

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