Ciência

Fóssil de pequeno dinossauro com penas, descoberto na China, revela detalhes sobre evolução do voo

Em apuração ?

Exame detalhado mostra que diferentes linhagens desenvolveram mecanismos de voo de forma independente

Fóssil de um dinossauro com penas preservado na China, destacando suas penas longas nos braços e pernas.
Imagem: CNN Brasil

Pesquisadores analisaram um fóssil de um pequeno predador, o Norellraptor, com penas longas, que viveu na China há cerca de 70 milhões de anos. O estudo aponta que estruturas de voo evoluíram de formas distintas em diferentes grupos de dinossauros.

Um fóssil quase completo de um pequeno dinossauro com penas, descoberto na China, tem chamado a atenção de especialistas na área de paleontologia. Segundo uma publicação da equipe de pesquisa no site Nature Communications, o animal, denominado Norellraptor, tinha aproximadamente 57 centímetros de comprimento e pertencia ao grupo dos microraptoríneos, conhecidos por suas características de voo ou planeio, que ocorreram em épocas prévias ao aparecimento das aves modernas.

O fósil revela detalhes surpreendentes, como marcas de penas longas nos braços e pernas, formando um padrão de 'quatro asas'. Além disso, foi possível determinar que o animal levou cerca de três anos para atingir a maturidade, evidenciando que seu crescimento era mais lento do que o das aves atuais, que atingem tamanhos adultos em poucos meses. Essa diferença indica que, mesmo após o surgimento de estruturas similares ao voo, alguns aspectos fisiológicos ainda preservavam características de dinossauros não aviários.

Para entender melhor a evolução do voo, os pesquisadores fizeram análises detalhadas comparando 194 traços anatômicos de diversos dinossauros alados e aves primitivas. Entre as conclusões, está o fato de que 57 desses traços aparecem de forma semelhante em microraptoríneos e nas primeiras aves, sinalizando que essas estruturas evoluíram de processos independentes, ou seja, por evolução convergente. Entre os traços compartilhados estavam o osso do peito (esterno) ampliado, responsável por suportar músculos peitorais fortes, a fusão dos ossos do pulso e da mão, além do encurtamento dos dedos.

De acordo com o estudo, embora esses grupos tenham desenvolvido órgãos de voo semelhantes, o caminho evolutivo percorreu rotas distintas. A fusão do pulso e o fortalecimento do osso do peito aconteceram primeiro na linha do tempo evolutiva, enquanto o encurtamento dos dedos só ocorreu posteriormente, em um momento diferente do desenvolvimento anatômico. Como resultado, os autores estimam que não houve um 'pacote' genético fixo para o voo, mas sim múltiplas tentativas evolutivas, que aconteceram de forma independente em diferentes linhagens durante a Era dos Dinossauros, reforçando a ideia de evolução convergente nesse aspecto.

Publicidade

O que sabemos?

  • Fóssil quase completo de um pequeno dinossauro com penas foi descoberto na China.
  • Animal tinha cerca de 57 cm de comprimento e viveu há aproximadamente 70 milhões de anos.
  • O fóssil revela penas longas nos braços e pernas, formando um padrão de 'quatro asas'.
  • Pesquisadores determinaram que o animal levou pelo menos três anos para atingir a maturidade.

Fontes

Publicidade